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CiênciaReino Unido

Estudo: Pfizer protege mais com intervalo longo entre doses

23 de julho de 2021

Pesquisadores britânicos apontam que resposta imunológica pode ser até duas vezes maior com espaçamentos mais longos entre as duas doses da vacina contra a covid-19. Intervalo ideal seria de oito semanas.

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Profissional de saúde injeta vacina no braço de paciente.
Para o estudo, foram recrutados 503 profissionais de saúdeFoto: Claudio Reyes/AFP

Um intervalo mais longo entre as duas doses da vacina da Pfizer-Biontech contra a covid-19 leva a níveis gerais de anticorpos mais altos do que um intervalo mais curto, constatou um estudo britânico nesta sexta-feira (23/07). Os pesquisadores ressaltam, porém, que um maior espaçamento implica também uma queda acentuada nos níveis de anticorpos após a primeira dose.

"Oito semanas é provavelmente o ponto ideal", disse a professora da Universidade de Oxford Susanna Dunachie, que lidera o estudo. O cálculo leva em conta a busca de um equilíbrio entre vacinar o maior número de pessoas o mais rápido possível, sem comprometer os níveis gerais de anticorpos produzidos.

Para o estudo, foram recrutados 503 profissionais de saúde, dos quais 223 (44%) já haviam tido covid-19.

A pesquisa analisou a resposta imunológica à vacina da Pfizer-Biontech variando de um intervalo de dosagem de três a dez semanas. Embora ambos os esquemas de dosagem tenham gerado uma forte proteção contra a covid-19, o intervalo mais longo se mostrou ainda mais eficaz.

Os níveis de anticorpos neutralizantes foram duas vezes mais altos com o intervalo de dez semanas do que com o intervalo de três semanas, incluindo contra delta e todas as outras variantes testadas. O regime mais prolongado também melhorou a resposta das células T auxiliares, que suportam a memória imunológica.

Menor imunidade no período entre doses 

Os autores do estudo, porém, chamaram a atenção para a redução dos níveis de anticorpos após a primeira dose no caso de espaçamentos maiores.

"No cronograma mais longo, os níveis de anticorpos caíram entre a primeira e a segunda dose, o que incluiu a perda de qualquer efeito neutralizante contra a variante delta", disse Rebecca Payne, pesquisadora da Universidade de Newcastle, que também participou do estudo. "No entanto, as respostas das células T foram consistentes, indicando que elas podem contribuir para uma proteção importante contra a covid-19 durante o período."

Acredita-se que os anticorpos neutralizantes desempenhem um papel importante na imunidade contra o coronavírus, embora não sejam os únicos, com as células T tendo também sua relevância.

É importante ressaltar que estudos no mundo todo têm demonstrado que ambos os esquemas de dosagens, curtas ou longas, levam a uma forte proteção contra a covid-19, enfatizando a importância de se obter uma segunda dose da vacina.

"Nosso estudo fornece evidências tranquilizadoras de que ambos os esquemas de dosagem geram respostas imunes robustas contra o vírus após duas doses", disse Payne, da Universidade de Newcastle.

Em busca da melhor estratégia

As conclusões dos pesquisadores podem ajudar as autoridades a determinar as estratégias de vacinação contra a variante delta, que tem se mostrado mais resistente a uma primeira dose, embora o efeito protetor ainda seja observado após a segunda.

O Reino Unido, por exemplo, estendeu em dezembro o intervalo entre vacinações para 12 semanas, embora a Pfizer tenha alertado que não havia evidências sobre a eficácia de alterar o espaçamento original de três semanas.

Já hoje os britânicos recomendam um intervalo de oito semanas entre as doses, a fim de permitir que mais pessoas tenham alta proteção contra a variante delta mais rapidamente, e ainda maximizando a resposta imunológica a longo prazo.

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda um intervalo de 12 semanas entre a primeira e a segunda dose da vacina da Pfizer-Biontech. Segundo o órgão, tal espaçamento garante uma efetividade de mais de 80% do imunizante. Como base, a pasta cita um estudo conduzido também no Reino Unido, que mostrou que o nível de anticorpos gerados em idosos com mais de 80 anos 12 semanas após a aplicação da segunda dose foi três vezes maior do que no intervalo de três semanas.

ip/ek (Reuters, ots)