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Advogados pedem investigação célere sobre homicídio do bispo

9 de junho de 2026

Ordem dos Advogados de Moçambique pediu uma investigação "célere, rigorosa e transparente" sobre o assassínio do bispo de Quelimane, Osório Afonso, indicando que o crime recorda que ninguém está imune à intolerância.

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Göttin Justitia
Foto: picture-alliance/dpa/U. Baumgarten

"Instamos as autoridades competentes a conduzirem uma investigação célere, rigorosa e transparente, capaz de identificar os autores materiais e morais deste crime e de os levar à Justiça", lê-se no comunicado da Ordem dos Advogados de Moçambique.

O bispo da diocese de Quelimane e administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, Osório Citora Afonso, foi assassinado a tiro na madrugada de sábado (06.06), segundo a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM).

Perante este homicídio, os advogados pedem uma investigação para que o crime não seja esquecido, também porque "a moral colectiva foi frontalmente atingida e porque uma sociedade que não se preocupa com aqueles que defendem a dignidade humana compromete os próprios alicerces da sua humanidade".

"Este crime recorda-nos que ninguém está imune às investidas da intolerância e da violência. Quando homens e mulheres comprometidos com a verdade, a justiça social, a paz e a defesa dos excluídos são transformados em alvos, toda a sociedade deve sentir-se interpelada", lê-se na mensagem doa Ordem.

Sinais "profundamente preocupantes"

Para a instituição, o silêncio, a indiferença ou a banalização deste tipo de crime contribui para o enfraquecimento dos valores fundamentais que sustentam o Estado e a coesão nacional, recordando que recorrentes relatos de violência e intolerância em Moçambique constituem sinais "profundamente preocupantes" de uma deterioração da segurança pública e do tecido moral da sociedade.

Já o ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, prometeu uma investigação sobre o homicídio.

 "O que queremos afiançar é que todo trabalho será feito para a identificação dos autores morais e materiais e a sua responsabilização. Ainda não há detidos, porque, como sabem, quando se tomou conhecimento já era manhã de sábado e o tempo ainda é curto para podermos ter elementos todos de prova para poder já ter detidos, porque não houve flagrante delito", disse o ministro.

Os antigos Presidentes moçambicanos Armando Guebuza e Joaquim Chissano apelaram à rápida responsabilização dos autores do homicídio, enquanto o líder do partido Movimento Democrático de Moçambique (MDM, quarta força parlamentar) critica a "violência brutal" no país.

Repercussão internacional

O Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SCEAM) pediu reforço de proteção aos líderes religiosos no continente e exigiu respostas das autoridades.

"Exigimos que todos os responsáveis, sejam eles autores diretos, cúmplices ou mentores, sejam identificados, processados e levados à Justiça sem demora", apelou o presidente do SCEAM, cardeal Fridolin Ambongo, numa nota do organismo.

Entretanto, numa nota da Santa Sé refere-se que o Papa Leão XIV expressou também profunda dor e apelou ao fim dos atos de violência em Moçambique.

Em declarações aos jornalistas no mesmo dia do crime, o porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) na Zambézia, Maximino Amílcar, disse que o bispo foi morto na madrugada de sábado na sua residência com uma arma do tipo AK-M por homens que teriam escalado um muro, tendo vandalizado a segurança elétrica e disparado contra o bispo na "parte do peito, no coração".

A União Europeia (UE) pediu no sábado uma investigação "minuciosa e transparente", lamentando e mostrando-se profundamente chocada com a morte trágica e violenta.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, manifestou também, em comunicado, profundo sentimento de pesar e consternação.

 

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