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Angolanos saem às ruas em março pela libertação de ativistas

20 de fevereiro de 2026

O movimento Fúria 99 exige a libertação dos ativistas detidos desde os tumultos de julho de 2025, em Luanda, um deles sem acusação formal. O grupo alerta ainda para o agravamento do estado de saúde dos detidos.

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Foto simbólica: T-shirt manchada com uma impressão de uma mão vermelha
Três ativistas angolanos estão presos há oito mesesFoto: Manuel Luamba/DW

A prisão de Serrote de Oliveira, conhecido por "General Nila", André Miranda e Osvaldo Caholo, desde julho de 2025, continua a preocupar os familiares e amigos dos detidos, assim como representantes da sociedade civil.

Por isso, vários movimentos representantes da sociedade civil, estão a preparar uma manifestação em Luanda, para o dia 28 de março, para exigir libertação dos ativistas detido. 

"Exigimos a liberdade imediata destes companheiros de luta. Convidamos todo o povo angolano a aparecer em massa", afirma Pedro Paka, porta-voz do movimento Fúria 99, e um dos organizadores da ação de protesto, em entrevista à DW.

DW África: Quais os motivos e planos concretos para esta manifestação?

Pedro Paka (PP): No dia 28 de março, nós, o movimento Fúria 99 e outras forças da sociedade civil angolana, sairemos às ruas para exigir a liberdade dos companheiros de luta que se encontram nas amarras do regime angolano desde julho de 2025. Em março, os companheiros completarão oito meses de prisão preventiva. Não nos resta mais nada senão irmos às ruas para exigir a sua libertação imediata.

DW África: As autoridades já foram informadas sobre a manifestação?

PP: Sim. As condições para esta manifestação estão criadas. A carta em que informamos as autoridades já repousa no Governo Provincial de Luanda. Convidamos todas as forças para que se juntem a essa luta. Convidamos também a imprensa nacional e internacional a acompanhar essa atividade. Pedimos ainda aos manos que se encontram na diáspora que se juntem a nós, nesta luta pela liberdade dos nossos companheiros Osvaldo Caholo, "General Nila" e André Miranda.

Ativista dos direitos humanos Pedro Paka
Pedro Paka, porta-voz do movimento contestário "Fúria 99", é um dos organizadores da manifestação pela libertação dos ativistas presos, prevista para o dia 28 de marçoFoto: Privat

DW África: Em que situação legal se encontram os ativistas detidos?

PP: Osvaldo Caholo encontra-se preso na prisão de Calomboloca. Foi acusado de crime de rebelião, instigação pública ao crime e apologia pública do crime. Quanto ao André Miranda, foi acusado do crime de desobediência à ordem de dispersão, atentado contra a segurança dos transportes, associação criminosa e vandalismo. Quanto ao companheiro Serrote, mais conhecido por "General Nila", até ao momento, continua sem acusação formal.

DW África: Qual o estado físico e psicológico dos presos?

PP: Quanto à situação de saúde dos companheiros, podemos dizer o seguinte: Osvaldo Caholo, André Miranda e o "General Nila" não se encontram em boas condições de saúde. Sabemos que "General Nila" foi alvo de um disparo no momento da sua detenção e não recebe assistência médica adequada. O André Miranda também se encontra doente na penitenciária da comarca de Viana. Neste momento, está totalmente aterrorizado. Está cheio de sarna. É bastante complicado. Por isso exigimos a liberdade imediata destes companheiros de luta.

Convidamos todo o povo angolano a aparecer em massa para exigir a liberdade destes companheiros. A concentração será no dia 28 de março, no bairro São Paulo, em Luanda, às 10:00. A partida é às 13h00 com destino ao Largo dos Ministérios.

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