ExxonMobil: Atraso na decisão pode adiar produção de gás
22 de outubro de 2025
"Os riscos de novos atrasos aumentaram novamente devido ao recrudescimento dos ataques terroristas e, na nossa opinião, uma decisão final de investimento (FID) sobre o projeto Rovuma LNG da ExxonMobil não será concluída antes do levantamento da 'força maior' sobre os projetos de gás de Moçambique e, consequentemente, a primeira produção do Rovuma LNG não é provável antes de 2031", escrevem os analistas do departamento africano da Consultora Oxford Economics.
A análise sobre o setor do gás em Moçambique surge na sequência do anúncio da FID da TotalEnergies sobre a nova plataforma flutuante de gás natural liquefeito (GNL) Coral Norte, que se junta ao projeto já aprovado para o Coral Sul, e cujas obras tinham sido suspensas na sequências de ataques atribuídos a terroristas na província de Cabo Delgado, que levaram a empresa a declarar motivos de 'força maior'.
"Continuamos a assumir que a segurança em torno de Palma poderá ser garantida e que a TotalEnergies e o Governo chegarão a um acordo sobre um plano de desenvolvimento e um orçamento atualizados para que o projeto Mozambique LNG seja retomado no primeiro semestre de 2026, com o início da produção no segundo semestre de 2030", escrevem os analistas.
Moçambique tem três megaprojetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de GNL da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado, incluindo um da TotalEnergies (13 mtpa), em fase de retoma, após a suspensão devido a ataques na região, e outro da ExxonMobil (18 mtpa), que aguarda decisão final de investimento, ambos na península de Afungi.
Até agora, avançou apenas o da Eni, Coral Sul, e no princípio de outubro garantiu-se também o Coral Norte, no ‘offshore’ da província. Os restantes desenvolvem-se em terra.
Num estudo da consultora Deloitte concluiu-se, em 2024, que as reservas de GNL de Moçambique representam receitas potenciais de 100 mil milhões de dólares (86,2 mil milhões de euros).
Os parceiros da Área 4 da Bacia do Rovuma, ao largo de Cabo Delgado, Eni, Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), CNPC, Kogas e XRG assinaram, no princípio do mês, a FID para aquele novo projeto, de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros), cópia do Coral Sul, também operado pela Eni, que duplicará a partir de 2028 a produção moçambicana de GNL para sete milhões de toneladas anuais (mtpa).
Desde outubro de 2017, a província enfrenta ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico, que chegaram a provocar mais de um milhão de deslocados e fizeram 349 mortos só em 2024, segundo dados do Centro de Estudos Estratégicos de África, instituição do Governo norte-americano que analisa conflitos em África.