Benim: Abortada tentativa de golpe de Estado
7 de dezembro de 2025
"Na madrugada de hoje, um pequeno grupo de soldados iniciou uma revolta com o objetivo de desestabilizar o Estado e as suas instituições", explicou o ministro do Interior do Benim, Alassane Seidou, a propósito de um aparente golpe de Estado noticiado pela agência Associated Press.
"Diante dessa situação, as Forças Armadas do Benim e a sua liderança, fiéis ao seu juramento, permaneceram comprometidas com a república", frisou.
Antes das declarações do ministro do Interior, um grupo de soldados apareceu na televisão estatal do Benim, para anunciar a dissolução do governo num aparente golpe de Estado, o mais recente de muitos na África Ocidental.
O grupo, que se autodenominou Comité Militar para a Refundação, anunciou a destituição do Presidente e de todas as instituições estatais, tendo ainda informado da nomeação do tenente-coronel Pascal Tigri para presidente do comité militar.
Detenções
Pelo menos 14 militares foram detidas na sequência da tentativa de golpe de Estado, ocorrida esta manhã, informou uma fonte militar, citada pela agência France-Presse (AFP).
"Todos os detidos são militares, incluindo um que já tinha sido expulso do serviço", indicou. Entre eles estão responsáveis pela operação, embora o tenente-coronel Pascal Tigri, apontado como líder, e outro membro tenham conseguido fugir.
O grupo tinha invadido a sede da Rádio e Televisão do Benim (RTB) na madrugada de hoje, anunciando a destituição do Presidente, Patrice Talon.
A ação foi rapidamente neutralizada pela Guarda Republicana, que retomou o controlo do edifício e repôs a ordem.
CEDEAO e União Africana
O bloco regional, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), condenou a tentativa de golpe.
"A CEDEAO condena veementemente esta ação inconstitucional que representa uma subversão da vontade do povo do Benim. A CEDEAO apoiará o Governo e o povo em todas as formas necessárias para defender a Constituição e a integridade territorial do Benim", garantiu, numa declaração citada pela imprensa internacional.
Por seu turno, a União Africana (UA), também condena o que chama de "subversão da vontade do povo beninense".
O presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf, sublinha que "qualquer forma de interferência militar em processos políticos constitui uma grave violação dos princípios e valores fundamentais" do bloco.
Em comunicado, lembrou que os quadros normativos da UA "rejeitam categoricamente" a intervenção militar na governação e afirmam a primazia da ordem constitucional e da legitimidade democrática "como pilares da paz e da estabilidade no continente".
Youssouf apelou aos envolvidos para que cessem "imediatamente todas as ações ilegais", respeitem a Constituição e regressem às suas funções legítimas.
Manifestou ainda preocupação com a proliferação de golpes na região, alertando que tais ações minam a estabilidade continental e corroem a confiança dos cidadãos nas instituições públicas.
Após a independência da França em 1960, o Benin sofreu vários golpes de Estado, sobretudo nas décadas após a independência.
Notícias sobre Patrice Talon
Não há notícias oficiais sobre o presidente Patrice Talon desde que tiros foram ouvidos nos arredores da residência presidencial. O sinal da televisão estatal e da rádio pública foram cortados após o anúncio militar.
Talon está no poder desde 2016 e deverá deixar o cargo em abril próximo, após as eleições presidenciais.
O candidato escolhido pelo partido de Talon, o ex-ministro das Finanças Romuald Wadagni, é o favorito para vencer as eleições.
O candidato da oposição, Renaud Agbodjo, foi rejeitado pela comissão eleitoral, que alegou falta de patrocinadores suficientes.
Em janeiro, dois associados de Talon foram condenados a 20 anos de prisão por uma suposta conspiração para um golpe de Estado em 2024.
No mês passado, o poder legislativo do país prolongou o mandato presidencial de cinco para sete anos, mantendo o limite de dois mandatos.
O aparente golpe que o ministro do Interior afirma ter sido "frustrado" é o mais recente de uma série de insurreições que abalaram a África Ocidental.
O último data de novembro, na Guiné-Bissau, onde um grupo de militares tomou o poder, destituindo o Presidente Umaro Sissoco Embaló, suspendendo os resultados das eleições de 23 de novembro e empossando o general Horta Inta-A como presidente de transição por um ano.