Diáspora africana aliviada com novo Presidente de Portugal
9 de fevereiro de 2026
A vitória expressiva de António José Seguro, que conquistou 66% dos votos na segunda volta das eleições presidenciais deste domingo, trouxe um sentimento de alívio à diáspora africana em Portugal. Muitos cidadãos ouvidos pela DW descrevem o novo Presidente eleito como moderado, democrático e distante dos discursos de ódio, divisão e anti‑imigração que marcaram a campanha de André Ventura, o líder do partido Chega, derrotado com 33%.
Durante a tarde de hoje, Seguro foi recebido no Palácio de Belém por Marcelo Rebelo de Sousa para a passagem de testemunho. A tomada de posse está prevista para 9 de março.
Na noite eleitoral, António José Seguro afirmou querer ser "o Presidente de todos os portugueses", prometendo respeitar as diferenças e comprometendo-se com a inclusão: "Os vencedores desta noite são os portugueses e a democracia", sublinhou.
Comunidade africana destaca maturidade democrática
A vitória do antigo líder do Partido Socialista (PS) foi recebida com entusiasmo por vários membros da comunidade africana e afrodescendente. O luso‑são‑tomense Danilo Salvaterra afirma que os resultados demonstram a "maturidade da democracia portuguesa".
"A vitória de António José Seguro vem reconfirmar a maturidade da democracia em Portugal e quão sábios são os portugueses. É uma vitória para todos nós e um alívio para a comunidade imigrante."
Segundo Salvaterra, havia grande preocupação entre os imigrantes perante a possibilidade de uma vitória da extrema‑direita. "Ganhou a democracia e o bom senso. Agora é tempo de trabalhar pelo crescimento de Portugal", frisou.
"Uma esperança renovada"
Também o economista guineense Braima Mané, impulsionador de uma Carta Aberta da diáspora africana em apoio a Seguro, se disse satisfeito. Considera que esta vitória "deixa esperança numa Presidência que terá um papel importante na transformação de Portugal", defendendo "um país ousado, que não deixe ninguém para trás".
Para o jornalista angolano Victor Hugo Mendes, a escolha de Seguro, o segundo Presidente socialista em 20 anos, reflete a procura de estabilidade e moderação.
"Os ataques à imigração e outras questões raciais preocupavam muito a diáspora", explicou. Nesse sentido, vê em Seguro "um discurso mais equilibrado e de união", o que, acredita, terá mobilizado grande parte dos eleitores africanos com direito de voto.
"A estabilidade é o que importa, e a diáspora quer estabilidade para contribuir para o país", disse.
Um sinal de esperança, mas com cautela
Também a escritora e consultora luso‑guineense Sona Fati considera que a eleição de Seguro tem forte impacto emocional na comunidade imigrante.
"A eleição de António José Seguro representou um estímulo ao sentimento de esperança para todos, em especial para a comunidade imigrante e para a comunidade africana em Portugal."
Contudo, lembra que o Presidente da República não é responsável pelas políticas económicas ou pela gestão direta de áreas como saúde e educação.
"A diáspora não deve distrair-se: o Presidente não tem funções executivas", alerta.