Estradas fora de Luanda perigosas e em estado crítico
1 de abril de 2026
Andar de automóvel nas estradas angolanas é um martírio. Há buracos, ravinas e os carros não aguentam. Que o diga Elizabeth Corazza, da congregação católica das Filhas de São Paulo, que tem promovido formações bíblicas em várias regiões. Recentemente, percorreu mais de mil quilómetros para chegar a Menongue, a capital provincial do Cubango, e foi um pesadelo.
"Só o nosso autocarro avariou duas vezes. Era para chegar às 10 horas do dia seguinte e chegámos quase 20 horas depois. Não é simples circular em Angola, as estradas não estão boas ainda. Mas oxalá que mude, o povo não precisa de sofrer dessa forma", conta.
Os buracos e as ravinas nas estradas são bastante democráticos – prejudicam toda a gente que passa por eles, exceto os empresários e os políticos que andam de avião.
Não é o caso de Lindo Bernardo Tito. O conselheiro do presidente do partido PRA-JA Servir Angola, veio de automóvel à província do Cubango para uma viagem de trabalho de seis dias, que incluiu uma deslocação a um dos novos municípios angolanos. "Foi um desafio chegar a Savate, Savate não tem estrada. Savate tem picada e é muito difícil – mas mesmo muito difícil – chegar lá neste tempo chuvoso", recorda.
Promessas do Governo não saem do papel
As promessas do Governo para mudar a situação parecem não sair do papel. Por exemplo, a construção da EN140, para ligar os municípios de Caiundo a Savate. Em julho do ano passado foi lançada a primeira pedra dos 146 quilómetros de estrada.
Manuel José Molares, o secretário de Estado das Obras Públicas, vincou, na altura, que este era um momento muito importante para as populações. "A reabilitação deste troco irá promover as trocas comerciais entre o nosso país e o país vizinho irmão, a Namíbia. A reabilitação da estrada foi adiada e o anseio das comunidades locais que enfrentam dificuldades também foi adiado, mas chegou o momento de voltarmos a devolver a esperança e transformar este sonho em realidade", prometeu.
O projeto está avaliado em cerca de 144 milhões de euros. Mas nove meses depois do lançamento da primeira pedra, as obras paralisaram.
Moradores como Martinho Samutovo temem circular na zona, por causa das ravinas na atual estrada de terra batida. "A estrada é fundamental para a mobilidade da população e, neste momento, o perigo é real. Aproveitamos este espaço para fazer um apelo urgente ao governo da província do Cubango, para que tome medidas imediatas, no sentido de conter a ravina e proteger a estrada", diz.
Acidentes e atrasos
Um dos grandes problemas é que não são só as estradas que têm sido adiadas: o desenvolvimento destas zonas também fica adiado sem estradas em condições; os agricultores, por exemplo, têm grandes problemas para escoar e vender os seus produtos nas cidades.
E pior que tudo, há os acidentes. Estradas sem manutenção e com buracos enormes matam. Só em março houve registo de mais de 30 mortes. O ativista Amadeus Lucas culpa o Governo:
"Porque o Estado não supervisiona e não inspeciona. Este Estado é negligente."
O Instituto de Estradas de Angola (INEA) não respondeu, até agora, aos pedidos de comentário da DW.