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PolíticaVenezuela

EUA: "Não estamos a ocupar um país"

6 de janeiro de 2026

Embaixador norte-americano na ONU voltou a frisar que EUA "não estão em guerra com a Venezuela". Caracas exige libertação de Nicolas Maduro, ao mesmo tempo que líder da oposição venezuelana promete regresso ao país.

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Reunião do Conselho de Segurança da ONU a 5 de janeiro de 2026
Conselho de Segurança da ONU reuniu de emergência, esta segunda-feira, para debater situação na Venezuela.Foto: Brendan McDermid/REUTERS

Depois das ameaças, o Presidente dos Estados Unidos garantiu, esta segunda-feira, que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, está a cooperar com as autoridades norte-americanas. Numa entrevista telefónica à estação NBC News, Donald Trump também afastou a realização de eleições no país sul-americano num futuro próximo.

Delcy Rodriguez, antiga vice-presidente, tomou posse, na segunda-feira, como presidente interina da Venezuela - no mesmo dia em que Nicolás Maduro foi presente a juiz, em Nova Iorque, ao lado da mulher. Os dois garantiram estar inocentes das acusações de corrupção, branqueamento de capitais e tráfico de droga.

Perante a Assembleia Nacional, Delcy Rodriguez prestou juramento: "Venho com dor pelo rapto de dois heróis que estão a ser mantidos reféns nos Estados Unidos da América: o presidente Nicolás Maduro e a primeira combatente, primeira-dama deste país, Cilia Flores. Venho com dor, mas devo dizer que também venho com honra para prestar juramento em nome de todos os venezuelanos”, disse.

Jorge Rodriguez, irmão de Delcy Rodriguez, e também presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, também ontem reeleito, comprometeu-se a recorrer a "todos os procedimentos" possíveis para conseguir o regresso de Maduro.

"A minha principal função nos próximos dias (...), como presidente desta Assembleia Nacional, será recorrer a todos os processos, todas as plataformas e todas as vias para conseguir trazer de volta Nicolás Maduro, meu irmão, meu Presidente".

"Está em jogo a credibilidade do direito internacional"

Também esta segunda-feira feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu de emergência para analisar a situação em Caracas. Na ocasião, o embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, classificou a operação norte-americana como um ataque armado ilegítimo, sem qualquer justificação legal, e exigiu a libertação de Nicolás Maduro.

Embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada
Samuel Moncada, embaixador da Venezuela na ONU, exigiu a libertação de Nicolás Maduro.Foto: Angela Weiss/AFP/Getty Images

"Hoje, não está apenas em causa a soberania da Venezuela. Está em jogo a credibilidade do direito internacional, bem como a autoridade desta organização e o princípio de que nenhum Estado pode arrogar-se o papel de juiz e executor da ordem mundial.”

"Não há nenhuma guerra contra a Venezuela"

Por sua vez, o embaixador norte-americano nas Nações Unidas, Michael Waltz, negou estar em guerra com a Venezuela, defendendo a ação como uma operação de aplicação da lei justificada e cirúrgica.

"Não há nenhuma guerra contra a Venezuela nem contra o seu povo. Não estamos a ocupar um país. Tratou‑se de uma operação de aplicação da lei no seguimento de acusações legais que existem há décadas. Os Estados Unidos detiveram um narcotraficante que será agora julgado nos Estados Unidos, de acordo com o Estado de direito, pelos crimes que cometeu contra o nosso povo ao longo de 15 anos.”

María Corina Machado de regresso?

Entretanto, a líder da oposição da Venezuela e nobel da Paz, María Corina Machado, agradeceu a Donald Trump pelas "ações valentes" que levaram à captura do líder venezuelano, Nicolás Maduro, e disse estar a planear o seu regresso ao país.

Numa entrevista à Fox News, Machado disse ainda que a oposição que lidera transformaria a Venezuela num centro energético para as Américas, restabeleceria o Estado de direito para garantir a segurança do investimento estrangeiro e facilitaria o regresso dos venezuelanos que, segundo diz, fugiram do país desde que Maduro chegou ao poder, em 2013.

A líder da oposição indicou que o movimento que representa alcançaria "mais de 90% dos votos" em eleições livres e justas.

Donald Trump recusou-se publicamente a respaldar María Corina Machado, dizendo, no fim de semana, que esta não tem apoio suficiente na Venezuela para liderar o país. 

A União Europeia defendeu que a transição política na Venezuela deve incluir os líderes da oposição María Corina Machado e Edmundo González.

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