Ex-guerrilheiros da RENAMO encerram delegação em Maputo
29 de novembro de 2025
Ex-guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) voltaram na sexta-feira (28.11) a encerrar a sede do partido na província de Maputo, em Moçambique, para exigir a saída de Ossufo Momade da liderança, garantindo que outras estão a ser fechadas.
"A liderança da RENAMO desviou-se dos reais motivos pelos quais a RENAMO lutou - a defesa dos direitos humanos, democracia, liberdade de expressão", disse aos jornalistas Edgar Silva, coordenador nacional da comissão de gestão do partido criada recentemente por ex-combatentes, em Maputo.
Segundo o representante, que falava durante a concentração em frente à sede da RENAMO na Matola, província de Maputo, o líder do partido é o principal responsável pela instabilidade dentro do movimento político, que perdeu o estatuto de segunda força política, passando de 60 deputados, nas legislativas de 2019, para 28 nas eleições gerais de 09 de outubro de 2024.
Desde então, a anterior contestação ao atual líder do partido intensificou-se, com ex-guerrilheiros a encerrarem delegações, exigindo a realização de um Conselho Nacional, com intervenção da polícia, nomeadamente na sede nacional em Maputo, que fez mais de meia centena de detidos.
"As bases da RENAMO clamam pela substituição do líder", afirmou Silva, qualificando de "incomportável" a atuação da liderança de Ossufo Momade, que assumiu a presidência da Renamo em janeiro de 2019, após a morte de Afonso Dhlakama (1953-2018).
Momade foi reeleito para o cargo em maio de 2024, num processo fortemente contes tado internamente. "Nós viemos para retirar o poder ao senhor Ossufo. Caso queiram [dialogar], ainda estamos abertos", afirmou Silva, defendendo a criação de "uma plataforma de negociação" com a liderança.
Momade foi candidato presidencial nas eleições de outubro de 2024, obtendo 6% dos votos, o pior resultado de um candidato apoiado pelo partido, que foi a principal força de oposição no país desde as primeiras eleições, em 1994.
A RENAMO realizou um Conselho Nacional em 16 e 17 de outubro, com os ex-guerrilheiros a considerem que o encontro foi "uma manobra dilatória" para manter Momade na presidência.
Edgar Silva destacou que os antigos guerrilheiros sempre estiveram abertos ao diálogo e que a tomada da sede nacional do partido - em 24 de novembro de 2024 - tinha como objetivo conversar com Momade. Mas o líder, "ao invés de conversar connosco, mandou balas", adiantou: "Fomos retirados, foram roubados os nossos bens quando estávamos na sede".
"O mesmo movimento que está a acontecer agora na província de Nampula já ocorreu na província de Manica, na província da Zambézia e bem recentemente aconteceu na província de Inhambane. No fim, dentro de poucas semanas teremos todo o país sob controle", concluiu.