GAFI: Governo empenhado em evitar regresso à lista cinzenta
13 de março de 2026
Depois de Moçambique ter deixado a lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), a 24 de outubro de 2025, ao fim de três anos, esta semana o Governo veio a público afirmar que está empenhado em tudo fazer para que o país continue no bom caminho neste domínio.
Em entrevista exclusiva à DW, Luís Cezerilo, do Ministério das Finanças, falou da saída de Moçambique da lista cinzenta do GAFI, alertando para as responsabilidades acrescidas do Governo nesse mesmo âmbito.
"Moçambique saiu em outubro de 2025 da lista cinzenta do GAFI, o que significa um avanço muito grande para o país. Fomos retirados das listas negras de várias organizações. Estou a falar da União Europeia, do Fundo Monetário Internacional (FMI), e do Banco Mundial. Estou sobretudo a pensar sobre a perda de reputação internacional que sofríamos por estar na lista cinzenta. Quando estamos na lista cinzenta isso significa que as nossas instituições são frágeis.São passíveis de branqueamento de capitais. Sair desta lista é uma grande conquista", salienta Cezerilo.
Luís Cezerilo é coordenador nacional do comité executivo da coordenação de políticas de prevenção e combate ao branqueamento de capitais, financiamento de terrorismo e proliferação de armas de destruição em massa no Ministério moçambicano das Finanças.
Avaliação arranca em setembro de 2027
A avaliação da saída de Moçambique da lista cinzenta do GAFI arranca em setembro de 2027. Moçambique terá, portanto, de começar a demonstrar, nessa data, os passos dados, alerta Luis Cezerilo, sublinhando a importância da aprovação, nesta terça-feira (10.03), em Conselho de Ministros, da nova estratégia.
"O Governo aprovou a estratégia de sustentabilidade do sistema de combate ao branqueamento de capitais, ao financiamento de terrorismo e proliferação de armas de destruição em massa para o período compreendido entre 2026 e 2030"
O objetivo principal, segundo o representante do Minsitério das Finanças, é o reforço da coordenação institucional e internacional, a consolidação do quadro jurídico-legal, o fortalecimento dos mecanismos de supervisão e regulação e reforçar a "promoção da transparência e da integridade do sistema financeiro nacional".
Moçambique está no bom caminho, estando a recuperar, passo a passo, a credibilidade perdida junto de organizações interncionais, a par de outros países vizinhos e lusófonos, que também se têm esforçado para sair da lista cinzenta do GAFI, frisa Luís Cezerilo.
"Tivemos a Tanzânia que saiu da lista cinzenta, tivemos a África do Sul, Angola que saiu, regressou, e agora está, também, a trabalhar árduamente para voltar a saír da lista", frisa.
Em matéria de combate ao branqueamento de capitais, Moçambique poderá servir de exemplo para outros países africanos, afirma Cezerilo.