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Guiné-Bissau: Os entraves após 52 anos de independência

24 de setembro de 2025

Guiné-Bissau assinala hoje o 52.º aniversário da independência, proclamada nas matas da Madina de Boé, leste do país. Mas desenvolvimento continua travado por fragilidades estruturais e instabilidade política.

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Exército guineense (Foto de arquivo)
Exército guineense (Foto de arquivo)Foto: DW/B. Darame

Era 24 de setembro de 1973. Nas densas matas do leste, João Bernardo Vieira, então presidente da Assembleia Nacional Popular, ergueu a voz e proclamou, de forma unilateral, o Estado da Guiné-Bissau. Assim nascia, entre pólvora e esperança, um novo país.

Mais de meio século depois, a Guiné-Bissau continua sem alcançar aquilo a que Amílcar Cabral chamou de"programa maior": o desenvolvimento.

A justiça, a educação, o sistema de saúde e o respeito pelos direitos humanos permanecem aquém dos níveis desejados. Mesmo os governantes reconhecem essa realidade, apesar das promessas de melhoria ainda não concretizadas.

"A independência só faz sentido se houver compromisso"

O que dizem guineenses?

Ouvidos pela DW nas ruas de Bissau, muitos cidadãos fazem um balanço negativo do percurso nacional. "Em 52 anos da independência, nada foi feito e o balanço, para mim, é negativo", afirmou um cidadão.

"O país não está bem. Hoje, quase 80% ou 90% dos jovens estão a abandonar o país, porque não têm como sustentar o seu estudo e as famílias", lamentou uma estudante.

"Nós não estamos preparados social e economicamente para governar o país", acrescentou outro estudante.

Uma opinião diferente tem o Presidente cessante da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, que assinalou melhoria em vários setores.

Embaló destacou os resultados do "sucesso diplomático" do país, afirmando que os mesmos impactaram várias áreas da governação.

"E destaco algumas realizações: a construção de estradas estende-se pelas regiões [do país], um empreendimento muito importante que vai continuar. Esses eixos rodoviários melhoraram muito as condições de mobilidade e a segurança dos cidadãos".

O Presidente guineenses, Umaro Sissoco Embaló
O Presidente guineenses, Umaro Sissoco EmbalóFoto: Amanuel Sileshi/AFP

"Sucesso diplomático"

Em mensagem gravada à Nação, a partir dos Estados Unidos, onde participa na Assembleia Geral da ONU, destacou os resultados do "sucesso diplomático" da Guiné-Bissau e o impacto desse trabalho em diferentes áreas da governação.

"Melhorou-se bastante o transporte marítimo, nomeadamente com a entrada em atividade de mais um navio, o Centenário de Amílcar Cabral. E estão a terminar as obras de renovação do Aeroporto [Internacional Osvaldo Vieira], uma infraestrutura que vai valorizar ainda mais a nossa cidade capital", afirmou.

Guerrilha dos militantes do PAIGC lutou pela liberdade nas matas de Bissau
Guerrilha dos militantes do PAIGC lutou pela liberdade nas matas de BissauFoto: casacomum.org/ Documentos Mário Pinto de Andrade

"País ainda nem arrancou"

Para o sociólogo Infali Donque, no entanto, o país "ainda nem arrancou", porque "tem havido dificuldades e cada vez que o país dá sinais de arranque, há sempre cíclicas instabilidades político-militar", disse. 

"Isso constitui travão para o progresso do país e há falhas que são falhas político-militar", explicou. Donque acredita, contudo, que há um caminho possível para o desenvolvimento "através de políticas robustas de ponto de vista social e não há outro caminho ou alternativa a isso", diz.

"Os setores de saúde, educação e as infraestruturas sociais, rodoviárias têm que funcionar. Que haja água potável e eletrificação de todo o país, ou seja, que haja o básico, aquilo que pode ser o mínimo para atender às necessidades das populações", afrima.

Como em anos anteriores, o 24 de setembro não é oficialmente comemorado, não havendo eventos a nível nacional. Desde que Umaro Sissoco Embaló chegou ao poder, em 2020, a celebração da independência passou a realizar-se a 16 de novembro, Dia das Forças Armadas Guineenses.

Iancuba Dansó Correspondente da DW África em Bissau
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