Guiné-Bissau: Produção da castanha de caju "é muito fraca"
21 de maio de 2026
Produtores de castanha de caju em várias regiões da Guiné-Bissau alertam para uma forte quebra na produção. Embora não haja um estudo para saber os motivos desta situação, técnicos da área apontam possíveis causas como o envelhecimento dos pomares e efeitos do stress hídrico provocado pelas alterações climáticas.
Em várias zonas produtoras do país, o cenário nos pomares de caju é preocupante. Muitas plantações apresentam árvores praticamente sem frutos, enquanto noutras localidades a produção é visivelmente inferior à de anos anteriores. Nas zonas norte, leste e sul há tabancas (aldeias) onde não há caju para colher, o que tem gerado inquietação entre agricultores e comerciantes.
As causas exatas desta situação ainda não são conhecidas. Especialistas apontam hipóteses como os efeitos das alterações climáticas, com destaque para as temperaturas extremas, e o envelhecimento dos pomares. Mas apenas uma avaliação técnica mais aprofundada poderá determinar as razões concretas para a fraca produção registada nesta campanha de caju.
A população receia que a fraca produção e comercialização de caju este ano provoque fome e instabilidade económica, uma vez que os dados apontam que cerca de 80% da população depende deste produto para o seu sustento e que é o motor da economia da Guiné-Bissau.
A DW tentou ouvir o Ministério da Agricultura, mas sem sucesso.
O economista guineense Serifo So afirma que, em 2026, a comercialização de caju vai ter um impacto negativo no tecido económico da Guiné-Bissau, afetando populações, produtores, intermediários e o próprio Estado.
Futuro da economia guineense
"Temos três variáveis que preocupam o futuro da economia da Guiné-Bissau no espaço de três ou quatro meses. Primeiro, a variável sobrenatural. Sabemos que este ano a produção da castanha de caju é muito fraca a nível nacional. A segunda variável é a situação política e social do país que não favorece, e a terceira diz respeito aos conflitos mundiais, sobretudo no Médio Oriente."
Serifo So lembra que, graças a este rendimento anual vindo da comercialização da castanha de caju, os produtores agrícolas conseguem fazer investimentos na construção de casas, na alimentação e no pagamento dos estudos dos filhos.
Para evitar os riscos futuros, o economista aconselha os agricultores a diversificarem a produção, uma vez que o rendimento da castanha de caju é bastante reduzido. "Este risco deveria ser evitado há muitos anos. Eu aconselho sempre as pessoas a diversificarem a produção, porque a castanha de caju tem um ciclo muito curto", afirma.
Campanha
O Governo procedeu à abertura oficial da campanha de 2026 em março e fixou o preço base da castanha de caju para a campanha de 2026 em 410 francos CFA (cerca de 0,63 EUR) por kg ao produtor. Mas, devido à fraca produção, a compra está muito baixa.
Em declarações à DW, o diretor-geral do Comércio Interno, Abdulai Mané, revela que houve evolução e que o preço em vigor nesta altura, a nível nacional, é de 425 francos CFA (algo em torno de 0,65 euros). Diz ainda que o Governo está preocupado face à fraca produção da castanha de caju, sobretudo com a maturação tardia do produto.
Abdulai Mané reconhece que os fenómenos climáticos podem ter impacto na meta preconizada pelo executivo de transição no início da campanha da castanha de caju, que é exportar mais de 200 mil toneladas do produto visando superar o desempenho de 2025.
A Guiné-Bissau figura entre os dez maiores produtores da castanha de caju no mundo. O país exporta cerca de 200 mil toneladas por ano. É o maior produto estratégico para a economia do país.