Gezani deixa casas, escolas e centros de saúde sem teto
14 de fevereiro de 2026
“É um pouco prematuro falar de dados, a única realidade é que temos algumas infraestruturas escolares, centros de saúde, certas localidades que também teve alguma perda de cobertura”, afirma Cénia Maela, administradora do distrito de Jangamo, em Inhambane, um dos mais afetados pelo ciclone Gezani.
A administradora avançou que as autoridades estão no terreno, após aguardar que a tempestade abrandasse, para avaliar os impactos do ciclone tropical intenso, que atingiu Inhambane na noite de sexta-feira (13.02).
“Estamos a descer ao terreno que é mesmo para aferir, ver a situação da população, como é que estão, os que perderam os seus tetos como é que estão acomodados e todos outros procedimentos ligados à mitigação depois deste ciclone”, referiu Cénia Maela.
A responsável prometeu partilhar dados “um pouco mais concretos”, mais tarde, sobre a situação do distrito após a intempérie.
“Neste preciso momento não teria muita informação substancial para aferir se o distrito foi mais afetado ou não (…), mas é real que tivemos prejuízos depois do ciclone sim”, concluiu.
Famílias passam madrugada em claro
Milhares de famílias passaram a madrugada em claro em Inhambane, com chuvas intensas e fortes ventos do ciclone Gezani a “bater”, arrancando telhados de casas, derrubando infraestruturas e árvores e deixando quase intransitáveis algumas vias.
“Aquilo [a chuva] bateu durante toda a noite até ao amanhecer. Até então está chovendo. O que parou é a ventania, reduziu um pouco a intensidade, mas até então a chuva ainda continua a cair”, descreveu esta manhã, a partir de Maxixe, Manuel Lucas Mutola, pedreiro de 40 anos.
A casa onde vive naquele distrito de Inhambane escapou, até agora, mas Manuel passou a noite em claro, com receio, tendo perdido toda a produção agrícola que tinha à volta.
“Tem alguns vizinhos que perderam o teto, as chapas saíram. Estão aí agora a lutar, a tentar pregar. Algumas chapas já não dão proveito porque voaram para muito longe. Então tiveram que recuperar e estão aí a tentar repor as casas”, relatou, descrevendo o barulho dos martelos à volta.
Marcas de destruição e relatos de infraestruturas derrubadas repetem-se um pouco por toda a zona costeira da província, bem como de famílias receosas, divulgando, durante a noite, a evolução da tempestade, sobretudo a partir das 23:00 locais nomeadamente o forte vento, que só na cidade de Inhambane derrubou árvores um pouco por todo o lado, deixando estradas intransitáveis, destruindo ainda a ponte-cais, condicionando as ligações marítimas para embarcações de grande porte.
O ciclone tropical intenso Gezani atingiu a costa de Inhambane na sexta-feira, com vento médio de 200 quilómetros por hora e rajada até 250 quilómetros por hora.