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Jovens africanos defendem justiça climática na COP30

18 de novembro de 2025

Ativistas africanos presentes na Conferência da ONU para as Alterações Climáticas (COP30), no Brasil, pedem financiamento climático, inclusão política e justiça para as comunidades mais afetadas pela crise climática.

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Ativista queniana Anita Soina na abertura da COP30 no Brasil
Anita Soina fundou um grupo para aumentar a consciencialização sobre as alterações climáticas, que organiza campanhas de limpeza e de plantação de árvoresFoto: Tainã Mansani/DW

Anita Soina, ativista queniana de 26 anos e membro da comunidade Maasai, viajou até Belém, no norte do Brasil, para participar na 30.ª Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (COP30).

Para Soina, que testemunhou como o desmatamento alimenta a seca, a fome e a escassez de água no seu país natal, o Quénia, a COP30 tem um significado especial. "Acho que este evento será uma das maiores vitórias para o Sul Global", disse à DW.

Mas o seu otimismo  é cauteloso. "Já tivemos muitas promessas antes e, no final das contas, a crise continua a piorar», diz. «A maior barreira na África é a falta de vontade política. É por isso que a maioria dos recursos não é usada para os fins a que se destinam.»

Exigências de transparência e ação

A representar a Zâmbia, Maurice K. Nyambe, diretor executivo da Transparência Internacional, também está na Amazónia para a COP30 e espera que a cimeira deste ano traga não apenas novas promessas, mas também mecanismos para garantir a responsabilidade.

"Quer falemos de financiamento climático ou comércio de carbono, é importante incluir transparência [e] responsabilização em todas essas discussões. Temos grandes expectativas para a COP30", disse à DW.

Maurice K. Nyambe, diretor executivo da Transparência Internacional na Zâmbia
Maurice K. Nyambe, da Zâmbia, tem grandes expectativas relativamente à COP30Foto: Tainã Mansani/DW

O continente africano está entre os mais vulneráveis às alterações climáticas. Secas, inundações e a perda de terras agrícolas já ameaçam milhões de meios de subsistência e a segurança alimentar.

Nos últimos anos, jovens ativistas africanos têm-se tornado cada vez mais expressivos nos debates internacionais sobre o clima, exigindo justiça climática e ações tangíveis dos países mais ricos.

Vozes da linha da frente

Ajudar a comunidade é o que motiva Hilda Nakabuye, ativista ugandesa e membro do movimento Fridays for Future Uganda, que participa da sua quinta COP. "Para mim, a COP30 é um momento especial porque marca os 10 anos do Acordo de Paris", disse à DW.

O seu trabalho centra-se nos jovens e nas mulheres no Uganda e na oposição ao controverso Oleoduto de Petróleo Bruto da África Oriental (EACOP), que atravessa áreas sensíveis como o Parque Nacional Murchison Falls e contorna o Lago Vitória.

"Pedimos uma transição energética justa e equitativa. Espero que os líderes aqui presentes na COP30 coloquem as vozes das pessoas - especialmente das comunidades marginalizadas - no centro das suas decisões", apelou.

Protesto indígena em Belém durante a COP30
Milhares de pessoas reuniram-se perto do local onde decorre a COP30 para participar na Cúpula dos PovosFoto: Pablo Porciuncula/AFP

Cúpula dos Povos

Durante a COP30, milhares de ativistas e povos indígenas de todo o mundo participaram na Cúpula dos Povos, um movimento paralelo que reivindica ação climática e reparações pelas injustiças ambientais.

À Associated Press, Inés Ribeiro, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), fala de um espaço onde as vozes das populações marginalizadas podem, de facto, ser ouvidas: "Porque aqui somos ouvidos, aqui as nossas vozes são escutadas."

O guineense Miguel de Barros alertou para os desafios ambientais enfrentados pelo país, como inundações costeiras e desertificação, ressaltando a importância da cooperação e de estratégias regionais e internacionais para mitigar os impactos da crise climática.

"A Guiné-Bissau, sendo um Estado pequeno e com recursos limitados, sozinha não conseguirá enfrentar essas questões. Não estamos a falar de atores como a China, a França, a União Europeia, a Rússia ou a Turquia, e é necessário ter um conjunto de estratégias, tanto ao nível regional, como no caso da CEDEAO, como também ao nível da CPLP", disse em entrevista à DW.

Defesa do Clima: "Precisamos de estratégias regionais"

Já Jaco Oelofsen, do Centro Sul-Africano de Informação Alternativa e Desenvolvimento, destacou o impacto das práticas fiscais das grandes empresas de mineração, que utilizam paraísos fiscais para evitar impostos em países como a África do Sul e o Brasil.

"Nas empresas de mineração que observámos na África do Sul, em alguns casos, poderão terceirizar o marketing e as vendas para uma empresa associada, com sede num paraíso fiscal. Mas, na realidade, essa empresa no paraíso fiscal nem sequer presta serviços reais. O que faz é reduzir os lucros em países com elevada tributação, como a África do Sul ou o Brasil, e aumentar os lucros em países com baixa tributação", explicou.

Na Cúpula dos Povos foi divulgada uma declaração com 13 propostas, incluindo a proteção das terras indígenas, a desflorestação zero e políticas para a recuperação de áreas degradadas. O Governo brasileiro anunciou, entretanto, a demarcação de dez novas terras indígenas.

À lupa: O que atrai África à COP29?

 

Tainã Mansani Jornalista multimédia
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