João Machava: "Da RENAMO ninguém me tira"
29 de setembro de 2025
Em Moçambique a RENAMO confirma ter expulsado João Machava, a cara do descontentamento interno, por alegada violação dos estatutos. À DW, o porta-voz do maior partido da oposição, Marcial Macome, relata que a decisão foi tomada pelo Conselho Jurisdicional do partido, ao qual "compete julgar e tomar decisões sobre o comportamento dos membros do partido e emitir qualquer posicionamento relativo à disciplina dos membros do partido".
João Machava, líder dos descontentes da RENAMO, diz que ainda não foi notificado oficialmente, mas desvaloriza a decisão que considera ser uma tentativa de intimidar os companheiros na sua luta e garante: "Da RENAMO ninguém me tira".
Os antigos militares andam, há meses, em pé de guerra com a direção da RENAMO exigindo a saída do líder, Ossufo Momade, por ter afundado a formação. E Machava sublinha: "Nós estamos contra o Gorbatchov, não estamos contra a RENAMO".
DW África: Foi suspenso por alegadamente ter violado os estatutos. O que tem a dizer em relação a isso?
João Machava (JM): Primeiro, as pessoas que veem na assinatura dessa suspensão não são nada. Eu não sou membro. Eu sou desmobilizado. É uma brincadeira aquilo.
DW África: Como é que terá sido decidida a sua suspensão?
JM: Não sei. Mas o que eu posso deduzir é que aquilo ali é uma propaganda barata para tentar ameaçar desmobilizados e membros. Mas nós não fomos ameaçáveis. Não vamos parar. Vamos continuar com as nossas atividades até Ossufo sair.
DW África: A sua suspensão visa, então, fazer esfriar a luta interna ou vai, pelo contrário, impulsionar ainda mais a causa?
JM: Vai impulsionar a causa até o Gorbatchov da RENAMO sair. Nós estamos contra o Gorbatchov. Não estamos contra a RENAMO.
DW África: Conforma-se com esta decisão ou há a possibilidade de recorrer?
JM: Não, eu não recorro. Eu sou RENAMO. Da RENAMO ninguém me tira.
DW África: E o que é que os seus camaradas de luta dizem sobre esta suposta suspensão?
JM: Não nos afeta em nada. Aquilo é um documento escrito numa barraca, a tomar café, a beber cerveja. Aquilo não nos afeta em nada.
DW África: Então, como vão tornar a vossa luta legal, se o partido decidiu pela vossa suspensão? Que legitimidade vão ter?
JM: Antes de ontem, até ontem, estivemos reunidos em Conferência Nacional dos Desmobilizados e Membros, onde a maioria dos participantes eram membros. Houve algumas deliberações que, mais tarde, se precisar, posso partilhar. Aquilo, para nós, não nos afeta em nada. Aquilo não é nada, é uma brincadeira.
DW África: Daqui para frente, como pretende agir?
JM: É só trabalhar. Daqui a alguns dias, vamos reabrir as delegações que nós próprios fechámos e vamos começar a trabalhar, a fazer política, nós mesmos.
DW África: À revelia da direção do mesmo?
JM: Não há direção nenhuma. O delegado vai estar do nosso lado, vamos trabalhar com ele, porque nós não estamos contra o partido, estamos contra a pessoa.