1. Ir para o conteúdo
  2. Ir para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
Liberdade de imprensaEstados Unidos

Juiz suspende desmantelamento da Voz da América

29 de março de 2025

Um juiz federal dos Estados Unidos suspendeu a ordem de Trump para desmantelar a agência que gere a Voz da América, considerando a decisão “arbitrária” e uma ameaça à liberdade de expressão e imprensa livre.

https://p.dw.com/p/4sRuV
Sede da VOA em Washington
Várias ações judiciais continuam a decorrer em Washington, incluindo uma apresentada pela diretora da VOA e três jornalistas, contestando os cortes e o encerramento dos serviçosFoto: Annabelle Gordon/REUTERS

A Voz da América (VOA) ainda não vai ser silenciada. Um juiz federal norte-americano ordenou esta sexta-feira a suspensão imediata da tentativa da administração Trump de desmantelar o serviço noticioso internacional financiado pelo governo dos EUA há mais de 80 anos.

James Paul Oetken, juiz do Tribunal Distrital de Manhattan, emitiu uma ordem de restrição temporária contra a Agência dos EUA para os Media Globais (USAGM), impedindo-a de despedir mais de 1.200 jornalistas, engenheiros e outros profissionais que tinham sido afastados nas últimas semanas, após o Presidente Donald Trump ordenar o corte do financiamento à VOA e a outros meios públicos internacionais.

O juiz considerou a decisão governamental como "um caso clássico de decisão arbitrária e caprichosa”, criticando duramente a abordagem da administração, a qual, nas suas palavras, agiu como quem "pega num martelo para destruir uma agência autorizada e financiada por lei pelo Congresso”.

Além da VOA, a ordem judicial proíbe a USAGM de encerrar escritórios, suspender contratos ou obrigar trabalhadores no estrangeiro a regressar aos EUA. A agência fica também impedida de cortar fundos às rádios Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade (RFE/RL), Rádio Ásia Livre e Rádio Afeganistão Livre.

A decisão surge no seguimento de uma ação judicial interposta por jornalistas da VOA, sindicatos e a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que denunciaram a violação da liberdade de imprensa e da proteção legal contra interferências políticas por parte da Casa Branca. Segundo os queixosos, a suspensão das emissões da VOA abriu espaço para que "propagandistas monopolizem as ondas internacionais”.

Donald Trump, Presidente dos EUA
A administração Trump procurou, no passado dia 14 de março, cortar o financiamento à agência, no âmbito de uma ordem executiva que visava reduzir o tamanho do governo federalFoto: Mark Schiefelbein/AP/picture alliance

Trump e outros elementos do Partido Republicano acusaram repetidamente a VOA de "tendência esquerdista” e de não promover adequadamente os valores norte-americanos. Já a Casa Branca chegou a apelidar o serviço de "Voz da América Radical”, alegando que as suas reportagens favoreciam o Presidente Joe Biden e abordavam temas como privilégio branco ou migrantes transgénero, considerados "propaganda radical”.

A VOA, criada durante a Segunda Guerra Mundial para contrariar a propaganda nazi, teve um papel central durante a Guerra Fria e continua a transmitir informação para regiões sob regimes autoritários. Só no último ano, os meios geridos pela USAGM chegavam a cerca de 427 milhões de pessoas em todo o mundo.

A administração Trump procurou, no passado dia 14 de março, cortar o financiamento à agência, no âmbito de uma ordem executiva que visava reduzir o tamanho do governo federal. No entanto, o Congresso norte-americano já tinha aprovado um orçamento de cerca de 860 milhões de dólares para a USAGM no atual ano fiscal.

Entretanto, outras três ações judiciais continuam a decorrer em Washington, incluindo uma apresentada pela diretora da VOA e três jornalistas, contestando os cortes e o encerramento dos serviços.

Em declarações após a decisão judicial, o advogado dos queixosos, Andrew G. Celli Jr., afirmou tratar-se de "uma vitória decisiva para a liberdade de imprensa e a Primeira Emenda”, considerando que a ordem judicial representa uma "dura reprimenda” à administração Trump por desrespeitar os princípios democráticos.

Saltar a secção Mais sobre este tema