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Nampula: Gastos milionários com funcionários fantasmas

11 de abril de 2026

Autarquia de Nampula, no norte de Moçambique, desembolsa cerca de 27 mil euros por mês em salários para quase 150 trabalhadores que já não exercem funções, revelou hoje o edil.

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Mosambik Nampula 2025 | Muecate Grundschule
Foto: Sitoi Lutxeque/DW

Segundo o edil de Nampula, "os funcionários estão desligados [não prestam serviço], sim, mas descontaram no Instituto Nacional de Segurança Social, então, eles têm de passar a receber pelo Estado", disse o autarca de Nampula, Luís Guiquera.

"Nós temos, neste momento, acima de 149 funcionários com um peso mensal de quase dois milhões de meticais [27 mil euros] na nossa folha de salários atual", disse, citado pela comunicação social.

O autarca do município de localizado no norte de Moçambique falava à margem da nomeação de novos vereadores, tendo assegurado que orientou os empossados para acelerarem o processo para regularizar estes custos salariais.

"É um custo e pelo percurso que nós temos, estamos a gastar dois milhões de meticais [27 mil euros] mensais para uma equipa que está em casa. Esses são processos, mas são atos administrativos que têm que ser feitos", frisou Guiquera.

O edil explicou que a situação destes funcionários desligados resulta do mandato anterior, estando em curso trabalhos para a concretização da sua saída.

"Quando entrei, procurei saber porque é que esses funcionários não estão a trabalhar, não estão a exercer [nenhuma função], mas continuam a receber salário. Fui aprendendo que há um trabalho administrativo que tem que ser feito" e levará os trabalhadores a passar para a tutela do Estado, acrescentou Luís Guiquera.

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Idade obrigatória da reforma

O Governo moçambicano estimou em março que a revisão da idade obrigatória da reforma para 65 anos nos funcionários públicos vai permitir fazer cerca de 6.000 novas contratações, aposentando 17.400 trabalhadores, renovando a Função Pública.

"Desde a entrada em vigor da lei em revisão [2022] até dezembro de 2025, através dos nossos sistemas de monitoria, apontam que estão em condições para aposentar pouco mais de 17.400 funcionários e agentes do Estado, numa ação que poderá aliviar a folha salarial ativa em cerca de 608 milhões de meticais [8,3 milhões de euros] e poderá abrir a possibilidade de admissão de aproximadamente seis mil funcionários", disse o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, num 'briefing' com os jornalistas, em Maputo.

Em causa está a proposta de lei que altera artigos do Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado, aprovada em março em Conselho de Ministros, ainda a submeter ao parlamento, que aumenta de 60 para 65 anos a idade obrigatória de reforma dos funcionários públicos, que passará a ser automática, para alcançar equilíbrio na valorização da experiência profissional, renovação do pessoal e continuidade de prestação de serviços.

Impissa disse que a proposta de revisão da lei pretende alcançar o equilíbrio entre a valorização da experiência profissional, a necessidade de renovação dos quadros e a eficiência e continuidade do serviço público face à explosão demográfica.

O porta-voz do Governo argumentou ainda que a proposta de revisão quer "renovar a frota, renovar a administração pública, dar oportunidades a mais jovens e permitir que novos funcionários possam continuar a contribuir para o país, dando espaço ao repouso àqueles que tenham prestado devidamente a sua contribuição nos termos da lei".

Impissa tinha explicado anteriormente que esta proposta tem a possibilidade de extensão anual para as categorias de médicos especialistas, professores catedráticos e associados, embaixadores, ministros plenipotenciários e ministros conselheiros, investigadores coordenadores e principais até aos 70 anos

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