Moçambique: Chapo vê estabilização, analista teme agitação
18 de dezembro de 2025
O Presidente da República considera que os protestos pós-eleitorais, entre outubro de 2024 e março deste ano, afetaram a capacidade do Estado de investir em setores considerados prioritários, como água, energia, saúde e educação.
Durante o informe à Nação, Daniel Chapo classificou os protestos como "violentos, ilegais e criminosos" e afirmou que o Governo foi obrigado a redirecionar recursos, inicialmente destinados ao desenvolvimento, para a reconstrução de infraestruturas públicas e privadas, face a prejuízos de 27,4 mil milhões de meticais.
Mas o analista Dércio Alfazema sublinha que os valores anunciados pelo Governo não devem ser encarados como definitivos: "Além dos danos materiais, também houve danos humanos. Essa é uma situação que deve ser devidamente esclarecida."
Estabilização em Moçambique?
Durante o informe desta quinta-feira, Daniel Chapo destacou "sinais de estabilização da nação moçambicana", com reformas, combate às desigualdades, diálogo nacional e a "aproximação real entre o Estado e os cidadãos."
Ainda assim, o jornalista e analista político Luís Nhachote defende cautela: "Eu vejo isso como algo complexo, porque a agitação social continua a se refletir numa série de coisas", afirma.
"Na memória dos moçambicanos, esta imagem de medo e de terror continua. As ações do governo devem ser visíveis", acrescenta Nhachote.
Chapo prometeu a criação de uma nova arquitetura financeira pública, para impulsionar o crescimento económico, a industrialização e a inclusão financeira. Segundo o Presidente, estas iniciativas visam preparar o país para um ciclo prolongado de crescimento e modernização.
Dércio Alfazema considera que "essa nova arquitetura económica é urgente, uma vez que o país precisa de criar condições e buscar parcerias estratégicas para criar capacidade de gerar renda e receitas para o Estado."
Crime organizado continua a ser desafio
No que diz respeito ao combate ao crime organizado, incluindo os raptos, o Presidente apontou avanços no esclarecimento de casos, apresentando-os como indicadores de maior eficácia da ação governativa.
Para Alfazema, o informe de Chapo reconheceu a complexidade do fenómeno: "Há indicadores muito claros e específicos que dão uma nota positiva e satisfatória para a governação neste tema sobre o crime organizado, tendo em conta que os casos de rapto vêm sendo esclarecidos," considera.
O jornalista Luís Nhachote, por sua vez, entende que o Estado moçambicano continua a enfrentar limitações significativas na capacidade de resposta, num contexto marcado por redes criminosas que teriam capturado o Estado.