Moçambique: Chapa pode encarecer se não houver apoio estatal
31 de março de 2026
O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, confirmou no domingo (29.03), no final da XI Cimeira da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OEACP), em Malabo que o país pode ser afetado pela crise dos combustíveis, com consequente aumento dos preços. Mas neste momento, o chefe de Estado garante que o país garante tem stock até finais de abril.
Se o Governo não subsidiar os transportadores semi-coletivos de passageiros em Moçambique, o preço do "chapa 100" poderá subir devido à escassez de combustíveis causada pelo conflito no Médio Oriente.
"O desejo é subir para fazer face aos custos operacionais", disse à DW o presidente da Associação dos Transportadores Rodoviários da Cidade de Maputo (ATROMAP), Baptista Maculuve, que deixa a decisão nas mãos do Governo.
"Quem decide as tarifas é o Governo", lembra Maculuve em entrevista à DW, sublinhando que nas negociações entre transportadores e o Executivo "há balizas já estipuladas", esperando por isso que "não fuja a regra". A escassez de combustíveis registada nos últimos dias levou os transportadores a operarem com algumas restrições.
DW África: Que eventuais medidas irá tomar a ATROMAP neste contexto?
Baptista Maculuve (BM): Obviamente, para fazer face aos custos operacionais que vão ter que subir, e nós estamos a fazer negócio, não temos outra saída, porque senão não vamos conseguir manter os carros a circular, salvo se o governo puder subsidiar. Porque é preciso também perceber que em Moçambique quem decide acerca das tarifas é o governo, sobretudo na zona metropolitana. Então, temos essas duas variantes. O nosso desejo é subir para fazer face ao custo operacional, mas obviamente o governo poderá tomar uma outra posição em função dessa situação que anunciei.
DW África: Já houve uma aproximação entre os transportadores de passageiros e as autoridades para se discutir a possibilidade das autoridades subsidiarem os transportadores de passageiros?
BM: Das negociações anteriores, há balizas já estipuladas, se o combustível passa dos limites estabelecidos, naturalmente o governo tem estado a subsidiar para evitar que haja a subida das tarifas. Esperamos que o governo fuja à regra. Para nós o que vai nos interessar é que conseguimos mantermos na estrada a transportar os passageiros de um ponto para o outro. Se não fizer isso, vamos ter que subir, porque não teremos outra alternativa, nem teremos como manter os carros na via pública, como transportar os passageiros.
DW África: Até agora, como é que têm estado a operar face a esse alarme que se ativou no país de uma escassez de combustível nos últimos dias?
BM: Obviamente com algumas restrições, porque só se faz à estrada quem consegue o combustível. E como se sabe, sem combustível não é possível fazer o transporte. Quem consegue nesse dia, obviamente vai transportar. Isso naturalmente tem suas implicações, que é a redução do número de viaturas na via pública.
DW África: E isso claramente causa impactos na vida dos cidadãos?
BM: Obviamente, obviamente. O que está a acontecer nesse momento é que algumas pessoas são obrigadas a atrasar o serviço por falta de transporte. Quem não consegue ter o combustível para abaixar o seu carro, obviamente que não se faz à estrada.