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ConflitosMédio Oriente

Médio Oriente: Israel promete "outras surpresas" contra Irão

Redação DW África com agências
6 de março de 2026

Israel anunciou que passou à "próxima fase" das operações militares contra Irão e prometeu "outras surpresas". Já Teerão alerta que está preparado para uma guerra prolongada e diz que vai usar novas armas estratégicas.

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Irão | Ataques aéreos israelitas e americanos | Explosões no centro
Irão diz que adversários podem esperar "golpes dolorosos em cada próxima vaga operacional"Foto: Vahidonline/UGC

Israel anunciou a entrada na "próxima fase" das operações militares contra o Irão. Numa declaração televisiva, na quinta-feira (05.03) à noite, o chefe do Estado-Maior israelita, Eyal Zamir, adiantou que Telavive passou para a nova etapa e que esta vai incluir "surpresas".

"Depois de ter concluído com sucesso a fase de ataque surpresa, durante a qual estabelecemos a nossa superioridade aérea e neutralizámos a rede de mísseis balísticos, passamos agora à fase seguinte da operação. Nela, iremos aumentar ainda mais o impacto sobre os alicerces do regime e das suas capacidades militares. Nas nossas mãos estão movimentos surpresa adicionais que não tenho intenção de revelar. Perseguiremos os nossos inimigos, todos eles, e iremos alcançá-los”, afirmou Zamir.

Segundo o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, "há muitos resultados positivos", mas sublinha que "ainda há muito a fazer" no conflito contra o Irão.

"Novas iniciativas e armas estão a caminho" 

Por seu lado, a Guarda da Revolução do Irão alertou hoje que o país está preparado para uma guerra prolongada e garantiu que vai fazer uso de novas armas estratégicas em futuras operações.

O porta-voz do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, o brigadeiro-general Ali Mohammad Naeini, afirmou que as ofensivas lançadas até agora utilizaram apenas "uma fração" das capacidades militares iranianas, de acordo com um comunicado divulgado pela televisão local Press TV.

"O Irão está preparado para uma longa guerra para punir o agressor", declarou Naeini, que garantiu que Teerão vai utilizar nas próximas fases do conflito uma nova geração de armamento estratégico, que ainda não foi usado em grande escala no campo de batalha, sem dar mais detalhes.

O porta-voz acrescentou que "novas iniciativas e armas estão a caminho" e avisou que os adversários do Irão podem esperar "golpes dolorosos em cada próxima vaga operacional".

Entretanto, o Presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu que quer estar envolvido na escolha do sucessor de Ali Khamenei como líder supremo do Irão, rejeitando que o filho, Mojtaba Khamenei, possa ser uma opção.

O Presidente dos EUA considerou "desnecessário" e uma "perda de tempo" o envio de tropas norte-americanas para o terreno no Irão, sugerindo que neste momento não está a pensar numa invasão.

"É uma perda de tempo. Eles perderam tudo. Perderam a sua marinha. Perderam tudo o que podiam perder", afirmou Trump, acrescentando que o ritmo e a intensidade dos ataques continuarão.

O líder da Casa Branca prometeu ainda tomar medidas rápidas para travar a subida do preço do petróleo e dos combustíveis devido à guerra no Médio Oriente.

Reforçando a mensagem transmitida nos últimos dias pelas forças norte-americanas e israelitas, Trump reforçou que a capacidade militar iraniana foi fortemente reduzida e sugeriu que Teerão procura agora negociar o fim dos ataques.

 "A marinha deles desapareceu. Vinte e quatro navios em três dias. É muita coisa. "E estão a ligar, a perguntar: 'Como podemos chegar a um acordo?' E eu digo que estão um pouco atrasados e que agora queremos lutar com mais afinco do que eles".

"Não estamos a pedir um cessar-fogo"

Por sua vez, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, sublinhou que o Irão não procura um cessar-fogo nem negociações com os Estados Unidos, alegando que todas as tentativas anteriores resultaram em ataques.

"Não estamos a pedir um cessar-fogo e não vemos qualquer razão para negociar com os EUA, quando já negociámos com eles duas vezes e, todas as vezes, nos atacaram no meio das negociações. Portanto, não há nenhum pedido de cessar-fogo da nossa parte, nem qualquer pedido de negociação com os EUA da nossa parte. Nunca lhes enviámos qualquer mensagem."

O principal diplomata iraniano destacou ainda a resposta militar do país aos ataques conjuntos de Israel e dos EUA, afirmando que o Irão está mais preparado para esta guerra do que estava em junho, quando ocorreram os ataques conjuntos.

"Como podem ver, a qualidade dos nossos mísseis, o quanto foram aperfeiçoados após a última guerra, porque aprendemos muitas lições. E estamos preparados para qualquer eventualidade, inclusive, como sabem, uma invasão terrestre."

Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.

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