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Liberdade de expressãoMoçambique

Ordem dos Advogados denuncia ataque à liberdade de advocacia

23 de dezembro de 2025

Ordem dos Advogados de Moçambique denuncia ataque à liberdade de advocacia no país, na sequência da retenção de um seu membro numa esquadra da polícia "durante o exercício regular das suas atividades profissionais".

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Ordem dos Advogados de Moçambique denuncia ataque à liberdade de advocacia
Foto: picture-alliance/imageBROKER/R. Poller

"A retenção de um advogado no exercício das suas funções, sem fundamento legal válido, não constitui apenas uma ofensa pessoal ao advogado visado, mas antes um grave ataque institucional à advocacia, à defesa dos direitos dos cidadãos e ao regular funcionamento do sistema de justiça", refere a Ordem numa nota publicada na sua página do Facebook.

Em causa está a "retenção forçada", por cerca de duas horas, de um advogado por agentes do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), nos arredores de Maputo, "seguida de intimidação e ameaças de ser posto em celas", por ir à esquadra tratar de assuntos do seu constituinte sem procuração.

"Tal atuação revela-se manifestamente ilegal, abusiva e atentatória às prerrogativas da advocacia, violando frontalmente o Estatuto da Ordem dos Advogados de Moçambique, bem como os princípios basilares do Estado de Direito Democrático, designadamente os princípios da legalidade, da proporcionalidade e do respeito institucional entre os diversos operadores da justiça, para além de poder consubstanciar em comportamento criminalmente censurado", acrescentam os advogados.

Na mesma nota de repúdio, a Ordem dos Advogados de Moçambique descreve a ação dos agentes do SERNIC como abuso de poder e uma afronta aos princípios basilares que regem a advocacia no país, que "reconhecem o advogado como indispensável à administração da justiça, servidor do direito e da justiça, dotado de independência, integridade e responsabilidade pública, cabendo-lhe, inclusive, o dever de protestar contra a violação dos direitos humanos e combater arbitrariedades de que tenha conhecimento no exercício da profissão".

Perante a situação, a ordem, através da Comissão de Defesa e Reforço das Prerrogativas dos Advogados, manifesta disponibilidade para patrocinar ações administrativas e judiciais com vista à responsabilização dos agentes envolvidos na retenção do advogado.

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