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SociedadeSão Tomé e Príncipe

Presidenciais em STP: Primeiros nomes entram na corrida

Danilson Gomes
17 de março de 2026

São Tomé e Príncipe vai às urnas este ano para um ciclo eleitoral que inclui presidenciais, legislativas, autárquicas e regionais. Até ao momento, já há dois pré-candidatos assumidos à chefia de Estado.

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Eleições Presidenciais em São Tomé e Príncipe estão agendadas para 19 de julhoFoto: Ramusel Graça/DW

O país prepara-se para um ciclo eleitoral exigente num contexto marcado por tensões políticas, debates sobre o Estado de Direito e desafios socioeconómicos persistentes.

As eleições presidenciais estão marcadas para 19 de julho, sendo seguidas, a 27 de setembro, pelas legislativas, autárquicas e regionais. Até ao momento, ainda não foram anunciados apoios formais dos principais partidos, o que mantém em aberto o cenário eleitoral.

Miques João quer "recuperar e reprogramar” São Tomé e Príncipe

O advogado Miques João Bonfim foi o primeiro a anunciar a sua intenção de concorrer como independente. Em entrevista à DW, afirma que o seu objetivo é "devolver a dignidade aos cidadãos são-tomenses", numa altura em que considera que o país atravessa uma profunda degradação institucional e social.

Segundo o candidato, "a situação do país deplorou-se em todos os aspetos", havendo mesmo quem questione a existência efetiva do Estado. Defende, por isso, a necessidade de "recuperar” e "reprogramar” o país, apelando aos eleitores para que "saibam decidir para o bem do país".

Miques João tornou-se amplamente conhecido em São Tomé e Príncipe por estar na linha da frente no esclarecimento do caso de 25 de novembro de 2022. Na ocasião, quatro civis foram torturados e mortos por militares após um alegado assalto a um quartel — um episódio que um tribunal classificou como tentativa de golpe de Estado.

O advogado contesta essa versão, afirmando que "não houve golpe de Estado nenhum", mas sim "uma cilada para matar pessoas”. Defende que é essencial apurar responsabilidades e levar o caso a julgamento com urgência, sublinhando que todos os envolvidos — civis, militares e paramilitares — devem ser responsabilizados, como exige um Estado de Direito.

Eleições São Tomé
Eleições em São Tomé: campanha eleitoral deverá arrancar duas semanas antes da votaçãoFoto: Ramusel Graça/DW

A sua trajetória recente tem sido marcada por controvérsias. Miques João perdeu a carteira profissional após denúncias públicas contra figuras políticas e judiciais, tendo sido posteriormente detido num processo em que é acusado de abuso sexual de menor. Após ultrapassar o prazo legal de prisão preventiva, aguarda julgamento em liberdade, reiterando a sua inocência.

Elsa Pinto quer ser a primeira mulher eleita

Outra figura que já manifestou intenção de concorrer é Elsa Pinto, antiga ministra dos Negócios Estrangeiros. Militante do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP). Pinto já liderou também as pastas da Justiça e da Defesa e pretende agora tornar-se a primeira mulher eleita Presidente da República no país.

A candidata defende que o incentivo à liderança feminina deve ir além do discurso político: "É preciso que a nossa democracia responda a esta necessidade de empoderar", afirma, sublinhando a importância de criar condições reais para que as mulheres demonstrem a sua capacidade de liderança.

Apesar do anúncio, Elsa Pinto aguarda ainda uma posição oficial do seu partido. Nas últimas eleições presidenciais, em 2021, vários militantes do MLSTP concorreram ao cargo, mas o partido apoiou apenas a candidatura de Guilherme Pósser da Costa. Na altura, Pinto concorreu como independente e admite repetir o cenário.

Segundo explica, a decisão dependerá da posição e da argumentação do partido. Caso não receba apoio, garante que terá "base suficiente para avançar", mesmo reconhecendo que, no passado, enfrentou sanções internas que afetaram a sua candidatura e equipa.

Eleições abertas e sem apoios definidos

Ambos os pré-candidatos participaram nas eleições presidenciais de 2021, vencidas na segunda volta pelo atual Presidente, Carlos Vila Nova, e em que concorreram 19 candidatos. Até agora, nenhum partido anunciou oficialmente o seu apoio para o escrutínio de julho.

A campanha eleitoral deverá arrancar duas semanas antes da votação, num contexto em que o país se prepara para mais um momento decisivo da sua vida democrática.

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