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Pós-eleições na Guiné-Bissau: "O povo dormiu junto à CNE"

25 de novembro de 2025

Guineenses esperam ansiosamente a divulgação dos resultados das eleições presidenciais e legislativas. As candidaturas "já sabem" se ganharam ou perderam, mas persistem receios de adulteração do escrutínio, diz analista.

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Eleições presidenciais na Guiné-Bissau, em novembro de 2025
Eleições gerais - presidenciais e legislativas - tiveram lugar no domingo, 23 de novembroFoto: Luc Gnago/REUTERS

A Guiné-Bissau aguarda com expetativa a divulgação dos resultados oficiais das eleições de 23 de novembro pela Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Quanto às presidenciais, dois candidatos são vistos como possíveis vencedores. Fernando Dias, candidato independente apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e pelo Partido da Renovação Social (PRS), já reclamou para si a vitória com a maioria absoluta, afirmando que não será necessária uma segunda volta.

Já a candidatura do Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, recomendou prudência e que se aguarde os dados oficiais a serem apresentados pela CNE até quinta-feira.

Em declarações à DW, Sabino Santos, jornalista e analista político guineense, fala sobre os receios da população.

DW África: Como descreve a situação política na Guiné-Bissau?

Sabino Santos (SS): Há duas candidaturas que se defrontam, neste momento. Por um lado, a candidatura de Fernando Dias, que proclama ter vencido as eleições e que não haverá uma segunda volta; depois, há a candidatura do Presidente cessante Umaro Sissoco Embaló, que está muito mais na defensiva – não diz que ganhou as eleições, refere apenas que não haverá uma segunda volta e que está à espera da divulgação dos resultados pela Comissão Nacional de Eleições, enquanto entidade oficial.

DW África: Acha que a situação que se vive atualmente na Guiné-Bissau se pode comparar àquela que se viveu depois das eleições de 9 de outubro de 2024, em Moçambique, quando havia um candidato que reivindicava a vitória, nomeadamente Venâncio Mondlane?

SS: Acho que não. Daquilo que eu me recordo, Venâncio Mondlane tinha uma diferença de mais de 4 milhões de votos em relação ao [candidato rival] Daniel Chapo – portanto, não, não é essa a realidade na Guiné-Bissau. A realidade é manifestamente contrária. Neste momento, os números que estão [a ser divulgados] ao nível de algumas Comissões Regionais de Eleições dão vantagem a Fernando Dias. Aliás, eu estou seguro de que, neste momento, todas as candidaturas já conhecem o resultado. Qualquer candidato já sabe qual é a sua verdadeira posição nessas eleições.

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A candidatura de Fernando Dias, apresentando os seus factos, alega que sabe que ganhou na primeira volta e, por isso, não haverá uma segunda volta. Entretanto, a candidatura de Umaro Sissoco Embaló apareceu numa conferência de imprensa para condenar o que consideram de "reação precipitada" de Fernando Dias e diz também que não haverá uma segunda volta – sem assumir que Umaro Sissoco Embaló ganhou as eleições.

DW África: Conhecendo a personalidade de Umaro Sissoco Embaló, acha que ele vai aceitar, como afirmou, uma possível derrota, se essa for anunciada pela CNE?

SS: Eu acredito que sim, porque não haveria como contornar essa eventual declaração da Comissão Nacional de Eleições.

DW África: E que ambiente se sente na população? Há medo de uma possível violência pós-eleitoral?

SS: Há sentimentos diversos. Por um lado, há franjas da população que acusam o regime de querer roubar as eleições. Eu posso assegurar, por exemplo, que em dois locais, os populares ficaram 24 horas a vigiar a entrada das comissões regionais de eleições porque acham que há uma tentativa de roubar o resultado – estou a falar de Mansoa, onde a população dormiu junto à comissão, e de Bubaque, onde fica a Comissão Regional de Bolama e Bijagós.

Não sei responder se haverá episódios de violência pós-eleitoral no país, mas muito vai depender dos resultados divulgados pela Comissão Nacional de Eleições. Eu estou seguro de que, se Fernando Dias não for declarado vencedor, certamente não aceitará uma segunda volta.

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