RDC: Governador de Kivu Norte morre após combates
24 de janeiro de 2025
A confirmação oficial da morte do major-general Peter Cirimwami em combates na linha da frente coincide com o avanço rebelde sobre a capital província de Kivu Norte, Goma.
Nas últimas semanas, o M23 obteve ganhos territoriais significativos, cercando Goma, que tem cerca de dois milhões de habitantes e é um centro regional de segurança e esforços humanitários.
As circunstâncias da morte não são claras, mas Cirimwami, que liderou as operações do exército no Kivu Norte, visitou as tropas na linha da frente em Kasengezi, a cerca de 13 quilómetros de Goma, no dia da sua morte.
A sua morte, na quinta-feira (23.01), foi confirmada hoje por uma fonte governamental, uma fonte militar e uma fonte da ONU, que pediram para não serem identificadas por não estarem autorizadas a falar publicamente sobre o assunto.
Na quinta-feira, o pânico espalhou-se em Goma quando os rebeldes tomaram o controlo de Sake, uma cidade a apenas 27 quilómetros da capital provincial e uma das últimas rotas principais para a cidade ainda sob controlo do Governo, de acordo com o representante da missão da ONU.
Cresce número de deslocados à força
As Nações Unidas disseram hoje que o número de deslocados à força no leste da República Democrática do Congo (RDC) superou as 400 mil pessoas nas primeiras três semanas deste ano.
"O número de pessoas deslocadas só este ano é agora superior a 400 mil", disse o porta-voz da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Matthew Saltmarsh.
Citado pela agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP), numa conferência de imprensa das agências da ONU em Genebra, Saltmarsh acrescentou que o número de 400 mil é "quase o dobro do número registado na semana passada" neste país que faz fronteira, a sul, com Angola.
O número inclui 178.000 deslocados em Minova, Kalehe e outras áreas da província de Kivu do Sul, um movimento diretamente ligado à ofensiva do grupo armado Movimento 23 de março (M23), acrescentou o responsável.
Citado também pela agência espanhola de notícias, a EFE, recordou ainda que as províncias do Kivu Norte e do Kivu Sul, palco das atuais hostilidades, já albergam 4,6 milhões de pessoas deslocadas internamente, uma proporção significativa dos 6,7 milhões de pessoas que fugiram das suas casas para escapar à violência.
M23 anvaça
Na mesma conferência de imprensa, a porta-voz do Gabinete dos Direitos Humanos da ONU, Ravina Shamdasani, manifestou a preocupação da agência com o risco de uma ofensiva do grupo armado M23 em Goma, a capital do Kivu do Norte.
"Um ataque a Goma poderia ter impactos catastróficos em centenas de milhares de civis e expô-los a violações e abusos dos direitos humanos", alertou, defendendo que o apoio do Ruanda ao M23 e a outros grupos armados no Kivu "tem de acabar".
"A Monusco [Missão das Nações Unidas na RDC] tem apelado repetidamente ao M23 para depor as armas e respeitar o cessar-fogo que está em vigor desde 04 de agosto", disse.
Nos últimos dias, o M23 conseguiu um avanço contra o exército da RDC e, depois de tomar a cidade estratégica de Minova na terça-feira - o primeiro grande centro urbano que conquistou no Kivu Sul -, os rebeldes avançaram para a cidade de Sake, a cerca de 20 quilómetros de Goma, onde se registaram pesados confrontos com as forças do exército na quinta-feira.
Os combates no nordeste do país intensificaram-se nas últimas semanas, depois de ter sido cancelada a cimeira sobre o processo de paz prevista para 15 de dezembro em Angola, na qual deveriam participar os presidentes congolês e ruandês, Félix Tshisekedi e Paul Kagame, respetivamente, lembra a EFE.
Desde 1998, o leste da RDC está mergulhado num conflito alimentado por milícias rebeldes e pelo exército, apesar da presença da Monusco.