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"Medo" dos ruandeses em Moçambique diminuiu

8 de outubro de 2025

À DW, presidente da Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique (ARRM) diz que ruandeses estão bem integrados na sociedade e que o medo de perseguições do regime de Paul Kagame diminuiu consideravelmente.

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Cleophas Habiyareme | presidente da Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique (ARRM)
Segundo o presidente da ARRM, refugiados ruandeses estão bem integrados na sociedade moçambicana.Foto: Privat

Perseguições, sequestros e assassinatos de ruandeses em Moçambique originaram o temor e a chegada de militares ruandeses no contexto do combate ao terrorismo em Cabo Delgado potenciaram ainda mais esse sentimento. Anos passados, os ruandeses refugiados em Moçambique admitem que este medo de perseguições do regime de Paul Kagame diminuiu consideravelmente.

Em entrevista à DW, o presidente da Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique (ARRM) assume o mérito, destacando o trabalho da sua comunidade para o efeito. No dia em que a associação celebra 15 anos, Cléophas Habiyearame sente-se satisfeito também pela integração bem sucedida, que inclui obras de benfeitoria para com o povo que os acolheu.

DW África: Celebram 15 anos como associação, um longo período marcado por perseguições, sequestros e assassinatos de membros. O medo ainda persiste no vosso meio?

Cléophas Habiyearame (CH): O nosso medo está a baixar um pouco, porque a associação trabalhou muito. Tive muita conexão com organizações de direitos humanos de Moçambique e fora do país. Tive muito conexão com a imprensa de Moçambique e de fora, e também trabalhámos com as autoridades para mostrar a situação em que os refugiados ruandeses vivem. Tudo isto fez diminuir a perseguição, porque o nosso problema já é conhecido no mundo inteiro, e sobretudo a população de Moçambique entendeu os refugiados ruandeses.

DW África: Sentem-se em casa em Moçambique?

CH: Na verdade, eu sinto-me em casa. Aconteceu o que aconteceu, mas eu sinto-me em casa. 

Kigali, Ruanda | Soldados do Ruanda a caminho de Moçambique
Soldados ruandeses enviados para Cabo Delgado, Moçambique Foto: Cyril Ndegeya/Xinhua/picture alliance

DW África: Sonham regressar à vossa terra mãe?

CH: Isso não pode faltar nunca. Eu sou ruandês e nunca vou esquecer o meu país.

DW África: Os receios em Moçambique aumentaram com a vinda de forças ruandesas para o norte do país, Cabo Delgado, para ajudar no combate ao terrorismo. Volvidos alguns anos, a caça aos ruandeses chegou, de facto, a aumentar?

CH: Em 2021, com a chegada das forças ruandesas, houve muito medo nas comunidades ruandesas. Mas foi aí que a Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique trabalhou muito, porque tivemos alguns sequestros, mas com a força que a associação fez, as coisas mudaram.

DW África:  A cada dia, Moçambique e o Ruanda reforçam os seus laços de cooperação. Isso traz algo positivo para a comunidade ruandesa em Moçambique?

CH: Para nós, refugiados, pode-se dizer que não. Eu posso dizer que  Moçambique não é o primeiro país que tem boa relação com o Ruanda e também tem muito refugiados ruandeses. O Governo ter boa relação com o país, não significa que tem que caçar ou perseguir os refugiados que o país acolheu para viver em paz.

DW África: Quer-nos contar os momentos mais altos da vossa comunidade?

CH: Tivemos muita coisa positiva. Os objetivos da associação podem ser resumidos em dois pontos: lutar pelo bem-estar dos refugiados ruandeses e também a sua inserção na sociedade moçambicana. Por exemplo, em 2016, houve o ciclone Dineo na província de Inhambane, e a nossa associação esteve ao lado desse povo, conseguindo oferecer 300 chapas de zinco e 350 kg de roupa. Em 2018, a associação construiu quatro salas de aula aula devidamente equipadas. Em 2019, houve o ciclone Idai, que afetou sobretudo a cidade da Beira, e a Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique ofereceu duas toneladas de arroz para ajudar essa população. Há muita coisa que aconteceu, não posso dizer tudo, mas é certo que a associação tem trabalhado para a inserção na sociedade moçambicana.

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Jornalista da DW Nádia Issufo
Nádia Issufo Jornalista da DW África
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