Sinistralidade rodoviária em Moçambique continua sem travões
25 de setembro de 2025
Não há sinais de redução da sinistralidade rodoviária em Moçambique. As autoridades governamentais apontam como principais causas o excesso de velocidade, a condução em estado de embriaguês e a fadiga dos motoristas.
Os transportadores rodoviários que operam na rota Maputo-Durban-Joanesburgo defendem que Moçambiquedeve melhorar as condições das rodovias e afirmam que as razões apontadas pelo executivo não são as principais.
O motorista Martins Ndlate, que opera na rota Maputo-Durban, queixa-se das vias estreitas, esburacadas e sem sinalização. "Aquilo está a criar dificuldades. Estou a esquivar um buraco aqui e entro na faixa do meu oponente. E isto cria um embaraço: tu vens e, sem pensar que o outro há-de vir para o mesmo lado, encontram-se e batem", relata.
Na África do Sul, o transporte de passageiros não é proibido à noite porque as estradas têm três faixas, muito largas, e a sinalização é rigorosa, diz ainda Martins Ndlate. "Nós andamos à noite, de dia, com nevoeiro, tem sinalização própria. E nem se fala de buracos. Até na zona de nevoeiro há sinalização própria e possibilita a visão. Mas é diferente daqui e aqui a própria sinalização é muito precária", lamenta.
Fraca sinalização e corrupção policial
Em Moçambique, como a sinalização é fraca, os acidentes podem ocorrer com frequência. O ministro do Interior, Paulo Chachine, entende que não havendo condições para circular, quando há situações de nevoeiro, deve-se "nterditar a circulação até as condições atmosféricas melhorarem. Essa é a nossa tarefa, mas deixamos seguir."
"Esta atitude de deixar seguir é, para os operadores, normal porque basta pagar à polícia e pode passar", diz o motorista Inocêncio Fumo. "A presença da polícia nas estradas é simplesmente para extorquir os motoristas e não para fiscalizar. O polícia, quando manda parar, a tendência é de recolher algum, não precisa ver o estado da viatura, iluminação, estado dos pneus… eles não têm tempo para isso", afirma.
Edilson Caio, transportador que opera na rota Maputo-Joanesburgo, afirma que se sente mais seguro conduzir na África do Sul. E acrescenta que do lado moçambicano, os camiões avariados também são outro perigo. "O nosso maior problema aqui em Moçambique é que temos camiões avariados, sem sinalizações, sem placas, estradas esburacadas. Nós sentimo-nos muito seguros na África do Sul", remata.