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SociedadeÁfrica do Sul

Sul-africana que saiu de Gaza reconstrói vida em Joanesburgo

Dianne Hawker
25 de janeiro de 2024

Zaakirah Chotiah viveu 27 anos nos territórios palestinianos. Conseguiu sair da Faixa de Gaza com os cinco filhos e regressou à África do Sul em dezembro. "Vimos muitas coisas que não deveríamos ter visto", conta à DW.

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Cenário de destruição em Jabalia, norte da faixa de Gaza
Mais de 1,9 milhões de habitantes de Gaza foram obrigados a fugir de casa desde o início do conflitoFoto: Xinhua/IMAGO

Em quase três décadas, Zaakirah Chotiah assistiu a conflitos, mas conta que nada se compara ao que testemunhou nos dias que se seguiram a 7 de outubro, depois dos ataques do Hamas.

"Temos muita sorte de ter saído. É um milagre de Deus. Vimos muitas coisas que não deveríamos ter visto", relata.

Agora está a tentar reconstruir a vida em Joanesburgo, mas as memórias não se apagam. "A vibração do som dos mísseis quando atingiram o chão. Todas as janelas do prédio se partiram e ficaram como espinhos à nossa volta. Por isso, se estivéssemos na posição errada, ficávamos gravemente feridos", recorda.

Chotiah casou-se com um palestiniano, constituiu família e construiu uma vida em Gaza. Ensinava inglês e fazia trabalho humanitário. Mas a vida sofreu uma reviravolta abrupta na sequência dos ataques que marcaram o início do conflito na Faixa de Gaza.

"Vimos como os edifícios se desmoronavam diante dos nossos olhos. E quando havia bombardeamentos, tinham como alvo uma área a três minutos da nossa casa. Enquanto eu e as crianças observávamos da nossa varanda, dissemos: está mesmo a chegar perto de nós", conta.

"Fomos para uma escola primária onde ficámos uma semana. Circunstâncias difíceis, dormir no chão, muita gente... E toda a gente gritava e estava aterrorizada e furiosa", acrescenta a sul-africana.

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Fuga através do Egito

Diante desse cenário, apercebeu-se que tinha de fugir. Com os filhos, viajou para Rafah, na fronteira com o Egito, onde esperaram mais de um mês até serem autorizados a sair de Gaza.

Chotiah diz que a fé foi a chave para continuar, mas não consegue deixar de se preocupar com os que ficaram para trás, incluindo o ex-marido. "Espero que ele possa sair, porque confiou em mim para vir com as crianças para aqui em segurança", diz.

A sobrevivente apela ao mundo para que faça mais para proteger os civis nos territórios palestinianos: "Precisam mesmo de pessoas que façam a sua parte para que se consiga um cessar-fogo que se mantenha. Precisam de paz nas suas vidas. Estão cansados da guerra. Não pediram para ser colocados numa situação em que tudo lhes é retirado."

Mais de 1,9 milhões de habitantes de Gaza foram obrigados a fugir de casa desde o início do atual conflito entre Israel e o Hamas.

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