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PolíticaTanzânia

Tanzânia: Tensão pós-eleitoral aumenta

31 de outubro de 2025

Várias pessoas terão morrido nos protestos em Dar es Salaam após as eleições de quarta-feira, segundo fontes sanitárias. A polícia é acusada de repressão contra manifestantes, mas ela nega uso de força excessiva.

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Protestos em Arusha
Tanzânia está mergulhada numa crise após as eleições da última quarta-feiraFoto: AP Photo/picture alliance

Fontes hospitalares confirmaram esta sexta-feira à Agência EFE, que pelo menos 150 pessoas terão morrido protestos deflagrados em Dar es Salaam, capital econômica da Tanzânia, desde as eleições gerais da última quarta-feira.

O Hospital Nacional Muhimbili, um dos principais do país, recebeu, até o momento, 150 corpos, detalhou à EFE, sob condição de anonimato, um enfermeiro deste centro.

Este número está muito acima da cifra conservadora de dez mortos em nível nacional confirmada pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

"Fazemos um apelo às forças de segurança para que se abstenham de usar força desnecessária ou desproporcional contra os manifestantes, incluindo armas letais, e para que façam todo o possível para reduzir as tensões", exigiu o Escritório do ACNUDH nesta sexta-feira em um comunicado.

A ONU também urgiu as autoridades tanzanianas a restaurarem a internet no país - restrita desde quarta-feira - e a respeitarem os direitos da população à liberdade de expressão, de associação e de reunião pacífica.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, pediu uma investigação sobre as alegações de uso excessivo da força na Tanzânia, manifestando-se "profundamente preocupado” com a situação no país africano.

Oposição fala em 700 mortos

O principal partido da oposição da Tanzânia, Chadema, afirmou hoje, que cerca de 700 pessoas foram mortas em três dias de protestos, marcadas por repressão, apagão da internet e toque de recolher. O governo nega o uso de força excessiva e diz não ter números oficiais de vítimas.

Mahmoud Thabit Kombo
"Não há números confirmados de mortos", afirma Mahmoud Thabit Kombo - Ministro dos Negócios Estrangeiros da TanzâniaFoto: Ministry of Foreign Affairs Tanzania

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Tanzânia, Mahmoud Thabit Kombo, refutou esta sexta-feira, o uso da força excessiva contra os manifestantes. O dirigente nega os relatos da oposição que apontam para cerca de 700 mortos desde as eleições de quarta-feira.

 "Não há números confirmados de mortos” e que "não viu esses 700 em parte alguma”,, disse Kombo, .

A tensão continua no país

Os protestos continuaram nesta sexta-feira no terceiro dia de mobilizações motivadas por denúncias de fraude e repressão durante o processo eleitoral, registradas em cidades como Dar es Salaam, Arusha (norte) e Mbeya (oeste).

Samia Suluhu Hassan
A Presente Samia Suluhu Hassan não é vista publicamente desde quarta-feiraFoto: Emmanuel Herman/REUTERS

Teme-se que "muita gente" tenha morrido pela violência, segundo relataram à EFE moradores de Dar es Salaam, onde o Exército e a polícia patrulham as ruas, embora não tenha sido possível confirmar oficialmente o número de vítimas.

A cidade permanece sob o toque de recolher imposto pelo inspetor-geral da polícia, Camillus Wambura, que anunciou a medida na quarta-feira e ordenou o destacamento de agentes policiais para garantir seu cumprimento, junto a efetivos militares.

Silêncio da presidente

A presidenta tanzaniana, Samia Suluhu Hassan, foi vista pela última vez em público nesta quarta-feira, quando votou em Dodoma, a capital administrativa, onde a Comissão Nacional Eleitoral Independente (INEC) continua com a apuração dos resultados.

A expectativa é que Hassan, de 65 anos, que concorreu pelo governante Partido da Revolução (CCM), obtenha uma vitória folgada dada a exclusão dos principais rivais opositores e a repressão das vozes dissidentes no país.

Em Zanzibar, a oposição rejeitou os resultados locais, alegando fraude eleitoral. O ambiente é de medo, com cidadãos receosos de represálias por se manifestarem.

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