Terror intensifica-se em Nampula e provoca novos deslocados
18 de novembro de 2025
Os ataques terroristas continuam a espalhar medo na província de Nampula, no norte de Moçambique. Na segunda-feira (17.11), insurgentes voltaram a atacar a vila sede do distrito de Memba, provocando mortes e destruindo pelo menos 101 casas, viaturas e moageiras.
A ofensiva obrigou centenas de pessoas a abandonar as suas aldeias e procurar refúgio em distritos próximos, segundo as autoridades, que descrevem a situação como preocupante, embora garantam reforços no terreno.
"Estes terroristas fizeram incursões no Posto Administrativo de Mazua, nos povoados de Mulutine e Namajuba, no dia 14 e 15, e ontem dia 17 [de novembro], houve incursões que foram feitas em Memba-sede, onde também passaram por Gemba e Baixo-Pinda", disse o secretário de Estado de Nampula, Plácido Pereira.
Os insurgentes fizeram várias vítimas mortais. As autoridades governamentais falam de três mortes, mas os terroristas reivindicam cinco, de acordo com a imprensa local.
"Nestas duas ações, incendiaram cerca de 101 casas da população, viaturas e moageiras, mas também raptaram alguns cidadãos. Com este movimento, há uma fuga dos populares que se refugiam em Eráti, Nacaroa, Nacala-a-Velha e Nacala-Porto, entre outros", acrescentou Plácido Pereira.
Só o posto administrativo de Alua, no distrito de Eráti, recebeu mais de 200 famílias que fugiram dos ataques. Os deslocados abandonaram as suas zonas de origem e percorreram muitos quilómetros em peregrinação, como relata um deles à DW.
"Saí de Majuba, sai de lá no dia 16 até aqui. Lá eles queimaram casas. Na minha zona queimaram a minha casa, mataram o meu tio e mais duas pessoas, e incendiaram quase toda aldeia", lamentou.
Outro deslocado lamentou: "Mataram a minha irmã, minha neta – estou cá desde anteontem", disse.
O governador de Nampula, Eduardo Abdula, dirigiu-se esta terça-feira (18.11) a Alua, transportando alimentos para as famílias deslocadas. E lá, em língua local, pediu os residentes para acolherem sem discriminação os deslocados.
"Eu sei que os de Alua sabem bem acolher os outros, eu também nasci cá na região do régulo Saíde, então aprendi lá onde nasci a saber acolher. Trouxe tendas para dormirem porque sei que dormem nos cajueiros", disse.
O governante assegurou que as autoridades estão a envidar esforços no terreno, de modo a restabelecer a tranquilidade na região.