RDC: Sobe para 300 número de mortos em mina de coltan
1 de fevereiro de 2026
No leste da República Democrática do Congo (RDC), o número de mortos num deslizamento de terra numa mina de coltan subiu para cerca de 300, segundo fontes locais citadas pela agência EFE. Mais cedo, neste domingo, o governo avançou temer pelo menos 200 mortes no local.
O desmoronamento ocorreu na quinta-feira, nas minas de Rubaya, na província de Kivu do Norte, um território sob controlo do grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23).
"Encontram-se cadáveres a cada hora e a cada minuto. As operações de resgate não estão organizadas. Cada um faz o que pode para encontrar os cadáveres dos seus conhecidos", disse à EFE por telefone Ngendu Mwabura, ex-chefe local de Mupfuni Kibabi, que foi afastado pelos rebeldes, mas que ainda reside na zona.
Caminhos próximos ficaram submersos e intransitáveis, detalhou Mwabura, assim como casas e outras estruturas, que foram enterradas pelo lodo.
A maioria dos falecidos são mineiros artesanais, mas também morreram pequenos comerciantes que trabalhavam nas imediações da mina e residentes das aldeias circundantes, algumas das quais foram arrasadas pelo desabamento.
Grupo armado M23
Desde seu ressurgimento na RDC, em 2021, o grupo armado M23 tomou vastas áreas do leste rico em recursos da RDC, capturando a mina de Rubaya, na província de Kivu do Norte, em abril de 2024, com a ajuda de Ruanda.
A mina produz de 15 a 30% do fornecimento mundial de coltan, um componente-chave na produção de eletrônicos, como laptops e telefones celulares.
Milhares de mineradores artesanais trabalham diariamente em condições precárias nas fossas de Rubaya, a maioria equipada com simples pás e botas de borracha.
Em um comunicado neste domingo, o ministério da comunicação disse que um "deslizamento de terra maciço provavelmente deixou pelo menos 200 mortos", expressando sua "profunda consternação" pela tragédia.
De acordo com informações obtidas pela AFP, parte de uma colina na mina desabou na tarde de quarta-feira. Um segundo deslizamento ocorreu na manhã de quinta-feira.
O governador nomeado pelo M23 de Kivu do Norte, Eraston Bahati Musanga, que visitou Rubaya na sexta-feira, disse que havia duas centena de mortes e que os corpos haviam sido recuperados dos escombros, sem dar um número exato.
As redes de telefonia estão fora de serviço há vários dias na região, e autoridades congolesas e grupos da sociedade civil fugiram da área quando o M23 chegou.
A informação chega "aos poucos, por meio de mensageiros de moto que circulam pela região", o que torna difícil estabelecer um número preciso de vítimas, disse uma fonte local.
Os sobreviventes feridos foram levados para centros de saúde locais com recursos limitados, disse outra fonte humanitária.
Saques organizados
O leste da RDC, rico em recursos e que faz fronteira com Ruanda e Burundi, tem sido assolado por três décadas de violência contínua.
De acordo com especialistas da ONU, o M23 estabeleceu uma administração paralela ao Estado congolês para regular a operação da mina de Rubaya desde sua captura.
Especialistas estimam que o M23 arrecade cerca de 800 mil dólares por mês com a mina, graças a um imposto de sete dólares por quilo na produção e venda de coltan.
Analistas da ONU também acusam Ruanda – que nega fornecer apoio militar ao M23 –de usar a milícia para desviar as riquezas minerais da RDC.
Kinshasa, neste domingo, exortou "a comunidade internacional a compreender plenamente a dimensão dessa tragédia", que o governo atribui à "ocupação armada e a um sistema organizado de saques" pela milícia apoiada por Ruanda.
O governo observou que "todas as atividades mineradoras e comerciais" foram proibidas em Rubaya a partir de fevereiro de 2025, mas entre 112 e 125 toneladas de minerais são extraídas mensalmente e enviadas "exclusivamente para Ruanda".
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