UCCLA mobiliza ajuda às vítimas das cheias em Moçambique
31 de janeiro de 2026
Mais do que palavras, a União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) decidiu criar de imediato um grupo de trabalho interno com a missão de responder o mais depressa possível o pedido de ajuda às populações de Moçambique, vítimas das cheias que assolam o país.
A informação é revelada à DW pelo secretário-geral da organização, Luís Álvaro Campos Ferreira.
"Criamos um corpo especial aqui dentro da UCCLA, de forma a dar uma resposta que seja o mais rapidamente possível. Resposta essa que tem de ser articulada não só com as cidades associadas UCCLA, que são de todos os países de língua portuguesa - cerca de cem - que têm relações especiais com Maputo, por exemplo, e com outras cidades em Moçambique afetadas como é o caso de Xai-Xai, de forma a aferir a disponibilidade dessas cidades em colaborarem na recolha de diversos bens necessários a curto prazo para a resolução do problema", disse.
Além da manifestação de solidariedade expressa, em comunicado, a União reconhece que é preciso agir, mobilizando bens materiais e recursos para ajudar, depois dos impactos nas comunidades, nas infraestruturas e nas condições de vida das populações vítimas.
Alimentos e colchões são prioridade
O envio de bens alimentares está na lista das prioridades, para além de colchões e cobertores, adianta Campos Ferreira, que está em contacto com autarcas dos municípios afetados.
"Uma das principais necessidades em qualquer destas cidades, mas que Maputo refere com muita insistência, são as bombas de água para irem retirando a água. São na realidade para restabelecer a normalidade possível dessas zonas", referiu.
O secretário-geral da UCCLA diz estar a registar-se por parte de instituições e empresas portuguesas uma resposta solidária massiva, que se pretende que seja eficaz.
"Por isso, as próprias instituições portuguesas já têm feito essas diligências, nomeadamente o Instituto Camões", afirma, acrescentando: "E nós vamos também fazê-las dentro daquilo que é a informação que estamos a ter do que é necessário e dentro também daquilo que nos é possível colher junto dessas cidades e de empresas amigas e depois preparar toda a operação logística para fazer chegar lá as coisas em tempo útil".
O tema de ajuda a Moçambique foi também abordado no encontro que Campos Ferreira manteve com Luís Manuel Nunes, Governador da Província de Luanda, onde esteve esta semana no âmbito da celebração dos 450 anos da capital angolana.
"[Disse] que já tinha entrado em contacto com as autoridades moçambicanas e manifestou também toda a disponibilidade e julgo que estão a fazer as diligências no sentido de ajudarem", afirmou.
Cooperação e solidariedade
No comunicado, a UCCLA reafirma o compromisso de cooperação e solidariedade no seio da comunidade lusófona e deseja uma rápida recuperação das zonas afetadas, bem como o restabelecimento das condições de segurança e bem-estar das populações.
Num segundo plano, mas não menos importante, é preciso repensar as infraestruturas locais para precaver futuros fenómenos naturais em Moçambique, reconhece o antigo secretário de Estado português dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação (2013-2015).
"É evidente que estas tragédias não se evitam só com infraestruturas, mas será útil, passada esta aflição, resolvidos estes problemas e restabelecida a normalidade possível às populações, que agências como a UCCLA se sentem com as autoridades locais para ver o que podemos fazer para minimizar [o seu efeito] caso haja um episódio idêntico a este, criando infraestruturas; e por isso concorrer a fundos, elaborar projetos, buscar financiamentos, de forma a que estas tragédias possam ser evitadas", declarou.
De referir que, embora não conste na agenda de trabalhos, a situação de calamidade em Moçambique deverá ser abordada na próxima Assembleia Geral da UCCLA, que terá lugar no mês de abril em Macau.