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EconomiaArgentina

Argentina fecha 2025 com menor inflação em oito anos

13 de janeiro de 2026

Taxa anual caiu para 31,5%, mas alta mensal mantém economistas em alerta. Preços para serviços essenciais crescem por sete meses consecutivos.

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Mulher gesticula antes de pagar por compra de supermercado na Argentina
Argentinos sentem salário encolher mesmo durante redução da inflação na ArgentinaFoto: Agustin Marcarian/REUTERS

A Argentina encerrou 2025 com a menor inflação anual em oito anos, divulgou nesta terça-feira (13/01) o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Mesmo assim, se manteve a tendência de alta mensal, com os preços 2,8% mais caros em dezembro do que no mês anterior.

A taxa de inflação anual do mês passado foi de 31,5%, o nível mais baixo para dezembro desde 2017, quando estava em 24,8%. Em 2024, o índice de preços foi de 117,8%.

Desde junho, entretanto, vêm aumentando continuamente os custos de transporte, habitação, serviços públicos e combustíveis. De outubro para novembro, a variação mensal havia sido de 2,5%, um pouco menos do que o registrado em dezembro.

"O programa de estabilização baseado em superávit fiscal, controle rigoroso da oferta monetária e fortalecimento do Banco Central continuará sendo os pilares do processo de desinflação", escreveu o ministro da Economia, Luis Caputo, na plataforma X, onde celebrou o novo patamar da inflação como "conquista extraordinária".

A inflação na Argentina ainda está muito distante da média mundial, de 4,2% em 2025, segundo as mais recentes projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Austeridade contra inflação

Conter a famosa inflação argentina é objetivo central do presidente Javier Milei, que assumiu o cargo em dezembro de 2023 com uma plataforma para reativar a economia por meio de cortes drásticos nos gastos públicos.

Em 2024, a Argentina registrou seu primeiro superávit orçamentário em uma década como resultado das medidas de austeridade. O efeito colateral, entretanto, foi a perda de poder de compra, empregos e consumo.

Milei desvalorizou o peso argentino em mais de 50%, cortou gastos e congelou orçamentos, reduzindo a inflação anual de 211,4% em dezembro de 2023 para 117,8% em dezembro de 2024.

Estado de alerta

No entanto, os resultados de dezembro ainda assim acenderam o alerta entre economistas. Segundo Guido Zack, diretor da área de Economia do centro de estudos Fundar, "os processos de desinflação não são tão rápidos e tão lineares como apresentou à sociedade o presidente Milei."

O presidente prometeu que a inflação em breve será uma "má lembrança” para os argentinos.

Já Andrés Asiain, diretor do Centro de Estudos Econômicos e Sociais Scalabrini Ortiz, estima que "o plano de estabilização de Milei encontrou um piso de inflação que não consegue romper".

Nas ruas, a percepção era semelhante entre parte dos argentinos. No centro de Buenos Aires, Cristina Gómez, uma advogada de 60 anos, disse à AFP que não havia "nada para comemorar". "O que noto é que meu dinheiro rende muito menos."

Evolução oscilante

Durante 2025, a evolução mensal da inflação foi oscilante: a taxa tocou um pico de 3,7% em março e um piso de 1,5% em maio. Depois, voltou a acelerar a taxas mensais superiores a 2% desde setembro, em meio à alta volatilidade cambial e crescentes tensões financeiras na véspera das eleições legislativas nacionais de 26 de outubro.

"Os meses de setembro e outubro foram atravessados por uma profunda incerteza política, condicionando a evolução dos preços no último trimestre”, apontou Maximiliano Gutiérrez, responsável pela área Monetária-Cambial da Fundação Mediterrânea. Os resultados das urnas positivos para Milei impulsionariam as suas reformas.

As mais recentes previsões privadas, compiladas mensalmente pelo Banco Central argentino, apontam que a inflação acumulará em 2026 uma alta de 20,1%. É o dobro da variação de 10,1% que o governo de Milei disse esperar para este ano.

ht (AFP, EFE)