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História

Checkpoint Berlim: A Berlim de 1937

28 de agosto de 2017

Há 80 anos, tempos prósperos pareciam estar por vir na então capital do Terceiro Reich. Alguns fatos, porém, já indicavam que o futuro não seria tão brilhante quanto o regime nazista pintava, mostra exposição em Berlim.

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Letreiro de centro de exposições berlinense em 1937, exposto no Märkisches Museum

Em 1937, Berlim prosperava cultural e economicamente. Tudo parecia ia ir muito bem na capital do Terceiro Reich. No entanto, já apareciam os primeiros sinais de que uma guerra se aproximava e dos horrores que seriam cometidos.

A cidade, que foi o centro do aparato militar e político do regime nazista, havia superado completamente a crise de 1929. Sobravam vagas de empregos, abrindo espaço para as mulheres preenchê-las. O regime estimulava o consumo, embora grande parte da população não tivesse acesso a muitos produtos.

Berlim transpirava cultura, com diversos teatros e seus 407 cinemas, onde mais de 64 milhões de ingressos para filmes, alemães e americanos, foram vendidos naquele ano – um recorde de público.

Mas nem tudo era tranquilo como parecia. Um ar pesado, ignorado por muitos berlinenses, pairava sob a cidade. A censura reinava e era imposta por centenas de seguidores do regime que circulavam uniformizados por todos os cantos. Não somente a imprensa foi silenciada, mas também opositores.

O horror do Holocausto dava seus primeiros sinais. O antissemitismo ganhava força na cidade. A inscrição "proibido judeus" foi pintada em bancos de parques no bairro Prenzlauer Berg. Em vez de chocar, a discriminação não foi nem um pouco criticada e chegou a ser um exemplo para outros bairros. Judeus foram ainda proibidos de possuírem estabelecimentos comerciais.

Cartaz de 1935 do semanário antissemita "Der Stürmer" exposto no Märkisches Museum, em Berlim: "Quem compra de judeus rouba da riqueza nacional"
Cartaz de 1935 do semanário antissemita "Der Stürmer" exposto no Märkisches Museum: "Quem compra de judeus rouba da riqueza nacional"

Naquele ano, alguns indícios também mostravam que uma guerra estava por vir. Em 20 de setembro, sirenes alertavam a população para a aproximação de aviões. Os berlinenses largavam tudo o que faziam para correr para abrigos antiaéreos. Bombas foram lançadas, e esquadrões de limpeza entraram em ação. Todo esse espetáculo fazia parte do maior exercício de proteção aérea realizado na cidade. O evento foi documentado em vídeo. Além de testes de guerra, a indústria bélica funcionava a todo vapor.

Aquele 1937 também foi o ano de mudança na política de construção do regime. Ao arquiteto Albert Speer coube a missão de reformar Berlim, para transformar a cidade numa capital à "altura da grandeza" do Terceiro Reich. Era o início da tentativa de tirar do papel a Germânia, a megalomaníaca ideia de Adolf Hitler de uma capital do mundo.

Vídeos – inclusive o do exercício de proteção aérea –, fotografias e objetos desta época foram reunidos na exposição Berlim 1937 – Na sombra do amanhã, no Märkisches Museum. A exposição mostra como o cotidiano da capital alemã num ano que parecia calmo, mas que já dava sinais do que estava por vir.

Além de refletir sobre esse passado, o museu pretende ainda sensibilizar os visitantes para compreender sinais do presente e evitar que os horrores cometidos pelo regime nazista sejam esquecidos e repetidos.

Quem quiser saber mais sobre a Berlim de 1937 tem até 14 de janeiro de 2018 para visitar a exposição no Märkisches Museum, que fica na rua Am Köllnischen Park 5. A visita vale a pena: a quantidade de fotografias e vídeos da época reunidas no local impressiona e mostra como Berlim era antes de ser destruída na Segunda Guerra.

Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às segundas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.