Cuba sofre novo apagão em meio a grave crise energética
17 de março de 2026
Cuba sofreu mais um apagão nacional nesta segunda-feira (16/03), comunicou o Ministério de Energia e Minas, que acrescentou que as causas estão sendo investigada. Foi o sexto blecaute em apenas um ano e meio.
"Ocorreu uma desconexão total do Sistema Elétrico Nacional (SEN). As causas estão sendo investigadas, e os protocolos para o restabelecimento começam a ser ativados", informou a pasta em redes sociais.
Experiências anteriores mostram que o restabelecimento da energia costuma ser um processo lento, de vários dias. Esse processo passa por começar a gerar energia com as fontes de partida simples (solar, hidrelétrica, motores de geração) para atender pequenas áreas que depois se interconectam.
O objetivo é levar o quanto antes energia suficiente para as usinas termelétricas, o pilar da geração elétrica em Cuba, para que elas possam dar a partida novamente e produzir energia em grandes quantidades para satisfazer a demanda.
O problema essencial que diferencia esta ocasião das anteriores é que atualmente o país quase não dispõe de combustível para seus motores de geração devido ao bloqueio petrolífero americano.
Energizar as usinas termelétricas sem essa fonte energética de acionamento rápido pode ser um desafio, como explicou há uma semana o diretor-geral de Energia Elétrica do Ministério, Lázaro Guerra, após um apagão em massa que afetou cerca de 6 milhões de cubanos.
Por que Cuba está sofrendo com apagões?
Cuba está mergulhada numa profunda crise energética desde meados de 2024, situação que se agravou nos últimos três meses devido ao embargo de petróleo dos EUA, que está paralisando a economia e alimentando a agitação social.
Especialistas independentes indicam que a crise energética cubana responde a uma combinação de subfinanciamento crônico do setor e o atual bloqueio americano. O governo cubano destaca sobretudo o impacto das sanções americanas e acusa os EUA de "asfixia energética".
A operação dos EUA para capturar o presidente Nicolás Maduro, em janeiro, foi um golpe significativo para o governo cubano. Desde então, Trump tem apoiado a presidente interina Delcy Rodríguez, e as entregas de petróleo para Cuba foram interrompidas. A Venezuela era o principal fornecedor do combustível fóssil para a ilha.
Além disso, Trump ameaçou impor tarifas aos países que vendem petróleo para Cuba. México e Rússia são dois dos outros fornecedores de petróleo de Cuba.
Mudanças após conversações com os EUA
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou na sexta-feira passada que Cuba não recebe carregamentos de petróleo há três meses e que o país depende de energia solar, gás natural e usinas termelétricas.
Díaz-Canel também disse que Cuba manteve conversações com os EUA sobre sua crise energética e econômica. Poucos dias após o início dessas conversações, o ministro do Comércio Exterior e do Investimento Exterior, Oscar Pérez-Oliva Fraga, disse à emissora NBC News que Cuba planeja permitir que cubanos que vivem no exterior invistam e tenham empresas em Cuba. Essa mudança de política incluiria cubanos que vivem nos Estados Unidos.
Trump já sugeriu que uma mudança de regime em Cuba poderia ser o próximo passo após a guerra em curso entre EUA e Israel contra o Irã.
Os apagões prejudicam a economia, que encolheu mais de 15% desde 2020, segundo números oficiais.Além disso, foram o estopim dos principais protestos dos últimos anos, incluindo os ocorridos há poucos dias em Havana e Morón.
Trump: "Posso fazer o que quiser com Cuba"
O presidente dos EUA disse a jornalistas a bordo do Air Force One, no domingo, que Cuba "quer fazer um acordo, e acho que muito em breve chegaremos a um acordo ou faremos o que for preciso".
Nesta segunda-feira, na Casa Branca, Trump retomou o tema e disse acreditar que terá a "honra de tomar Cuba". Há semanas que Trump vem repetindo que a ilha está à beira do colapso. "Se eu a libertar, se eu a tomar, acho que posso fazer o que quiser com ela", continuou Trump. "Eles são uma nação muito enfraquecida agora", disse. "É uma nação falida. Eles não têm dinheiro, não têm petróleo, não têm nada."
as/cn (Efe, AFP, DPA)