Hanau: "Direitos humanos em vez de gente de direita"
22 de fevereiro de 2020
Milhares se reuniram na Freiheitsplatz (Praça da Liberdade), no centro da cidade alemã de Hanau, neste sábado (22/02). Os organizadores, da aliança Solidariedade Em Vez de Divisão, contaram um total de 6 mil participantes. Muitos portavam cartazes, com dizeres como "É preciso primeiro alguém matar, para que vocês se indignem?", "Direitos humanos em vez de gente de direita", "Fascismo e racismo matam por toda parte" ou "A AfD atirou junto".
Durante a manifestação, diversos oradores expressaram consternação e ira diante dos assassinatos de motivação racista da última quarta-feira. "Não devemos patologizar o criminoso", alertou Patrucija Kowalska, da campanha Nada da de Ponto Final, de Munique. O planejamento do ato teriam seguido a lógica pérfida dos ataques terroristas de direita ocorridos em outros locais, e as causas dessa violência seriam racismo e antissemitismo, afirmou.
Familiares das vítimas também falaram ao público. Segundo um deles, se trataria de um ato bárbaro e uma investida contra toda a sociedade, que agora deve permanecer coesa. "A ferida não vai sarar, mas a solidariedade nos ajuda", disse outro: as vítimas todas nasceram e cresceram na cidade, "eram todas filhas de Hanau".
A multidão seguiu pela cidade até um dos locais do crime. Além disso, durante todo o dia os cidadãos depositaram flores no monumento aos Irmãos Grimm, na praça Markplatz, acenderam velas ou homenagearam os mortos em silêncio.
Representantes da comunidade curda na Alemanha e o deputado de origem turca Cem Özdemir igualmente prestaram homenagem às vítimas. O político do Partido Verde disse esperar "que este ano entre para a história como aquele em que a República [da Alemanha] levou a sério o combate ao radicalismo de direita".
Em 19 de fevereiro de 2020, Tobias R., de 43 anos, assassinou a tiros em Hanau nove cidadãos de origem estrangeira, em dois bares de narguilé. Em seguida, o atirador esportivo alemão matou a mãe de 72 anos e se suicidou. Segundo os dados disponíveis, ele tinha disposição racista e era psiquicamente enfermo.
O Departamento Criminal do estado de Hessen alertou via Twitter contra informações falsas relacionadas ao atentado, pois no momento circula nas redes sociais um grande número de especulações sobre a sequência dos acontecimentos, partindo de diversas fontes.
Também em outras cidades alemãs, milhares foram às ruas em protesto contra o terrorismo de direita. Numa das manifestações, o prefeito de Marburg, Thomas Spies, classificou o racismo como "um veneno perfeitamente quotidiano", contra o qual "precisamos agir conjuntamente".
Apesar do Carnaval em andamento no estado vizinho da Renânia do Norte-Vestfália, nas cidades de Colônia, Bonn e Düsseldorf milhares voltaram a se reunir em vigílias e manifestações contra a ultradireita. Houve também protestos em Dortmund e Bielefeld.
AV/afp,epd,dpa
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