Putin autorizou ações pró-Trump na eleição, afirma relatório
17 de março de 2021
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, autorizou ações para interferir na eleição presidencial de novembro de 2020 nos Estados Unidos, afirma um relatório dos serviços secretos americanos divulgado nesta terça-feira (16/03).
A ingerência se deu por meio da difusão de alegações enganosas e infundadas sobre o candidato democrata à presidência, Joe Biden, numa tentativa de favorecer a candidatura do então presidente Donald Trump, que concorria à reeleição.
O Kremlin respondeu que as acusações não têm fundamento e que o relatório não oferece fatos nem provas. Funcionários do governo americano disseram, sob anonimato, que o governo dos EUA deverá impor novas sanções à Rússia por causa das ações.
Biden afirmou que Putin enfrentará consequências por suas ações. "Ele pagará um preço", afirmou o presidente americano em entrevista transmitida pela emissora ABC News nesta quarta, sem especificar quais seriam as medidas.
Segundo o relatório, pessoas ligadas à Rússia espalharam as alegações contra Biden e tentaram assim influenciar aliados de Trump. O documento não menciona nomes, mas é sabido que o advogado Rudy Giuliani, um aliado de longa data de Trump, encontrou-se várias vezes com o parlamentar ucraniano Andrii Derkach, que em 2020 divulgou gravações editadas para tentar prejudicar Biden.
Pessoas ligadas aos serviços secretos russos também espalharam histórias contra Biden na imprensa americana, afirma o relatório.
Porém, desta vez hackers russos não tentaram insistentemente entrar na infraestrutura eleitoral, por exemplo na contagem de votos.
Irã também tentou interferir
Já o Irã lançou uma campanha para tentar enfraquecer a candidatura de Trump, afirma o mesmo relatório. Os agentes americanos acreditam que as ações foram aprovadas pelo Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei.
A China, ao contrário, optou por não tentar interferir porque prefere estabilizar a relação que tem com os Estados Unidos e avaliou que, qualquer que fosse o resultado, ele não seria vantajoso o suficiente para que uma interferência valesse a pena, afirma o documento.
O relatório também conclui que nenhum governo estrangeiro foi bem-sucedido nas tentativas de influenciar o resultado da eleição presidencial.
as/lf (Lusa, AP, Reuters)