Siri e Alexa são sexistas, afirma Unesco
23 de maio de 2019
Assistentes virtuais populares que respondem com voz de mulher reforçam estereótipos sexistas, segundo um relatório das Nações Unidas divulgado nesta quarta-feira (22/05). A grande maioria dessas ajudantes, como a Siri da Apple, Alexa da Amazon e Cortana da Microsoft, são projetadas para serem percebidas como femininas, em nome, voz e personalidade.
Elas são programadas para serem submissas e servis, inclusive respondendo educadamente a insultos, e assim reafirmando os vieses de gênero e normalizando o assédio sexista, deduziram os pesquisadores da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
Como exemplo do problema, anteriormente Siri estava programada para responder "Eu ficaria vermelha, se pudesse" aos usuários que a chamassem de "bitch" (literalmente "cadela", no uso chulo algo como "piranha").
"A submissão de Siri diante de ofensas de gênero – e a servilidade expressa por muitas assistentes digitais projetadas como jovens mulheres – fornece uma poderosa ilustração dos vieses de gênero codificados nos produtos de tecnologia", resume o relatório.
Apple, Amazon e Microsoft não estavam disponíveis para comentar. Numa ocasião anterior, uma porta-voz da Microsoft declarou que a companhia pesquisara opções de vozes para Cortana e concluíra que "uma voz feminina é o que melhor sustenta nossa meta de criar um assistente digital".
Os assistentes vocais integraram-se rapidamente às vidas quotidianas de muitos, respondendo atualmente por um quinto de todas as buscas na internet, e por isso seu impacto cultural pode ser significativo, prossegue a Unesco. À medida que a tecnologia controlada vocalmente penetra mais comunidades pelo mundo, a feminização dos assistentes virtuais teria o potencial de apoiar a fixação e difusão do viés de gênero.
"O mundo precisa prestar mais atenção para como, quando e se as tecnologias de inteligência artificial representam um gênero e, crucialmente, quem está lhes conferindo esse gênero", comentou Saniye Gulser Corat, diretora da Unesco para igualdade de gênero.
O relatório instou as companhias a agirem, inclusive evitando que os assistentes digitais sejam femininos por default, explorando opções neutras em termos de gênero e programando os assistentes para desencorajarem insultos sexistas e linguagem insultuosa. Alguns meses antes, uma equipe criativa lançara o/a primeiro/a assistente de gênero neutro, numa tentativa de evitar reforçar os clichês sexistas.
O relatório da Unesco foi saudado por grupos de mulheres. Segundo a porta-voz da Womankind, Maria Vlahakis, ele dá "a muito necessária atenção" ao viés de gênero nos algoritmos, pois "esses algoritmos perpetuam os estereótipos de gênero e o comportamento sexista e misógino, refletindo as desigualdades de gênero estruturais na tecnologia".
AV/rtr
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