Suíços homenageiam socorristas de incêndio no Ano Novo
4 de janeiro de 2026
Centenas de pessoas marcharam em procissão neste domingo (04/01) para lembrar as vítimas do incêndio num bar da estação de esqui de Crans-Montana, na Suíça, e homenagear os serviços de resgate. A tragédia deixou 40 mortos e 119 pessoas gravemente feridas na última noite de Ano Novo.
Em silêncio, centenas de pessoas subiram uma montanha desde a capela de Saint-Christophe, onde ocorrera uma cerimônia ecumênica, até a frente do bar Le Constellation, palco do acidente.
Houve, então, um prolongado e emocionado aplauso para os socorristas, elogiados por residentes pela rapidez no atendimento ao bar em chamas. Alguns deles estavam às lágrimas durante a homenagem.
"É inimaginável o que eles fizeram e viram", disse Bruno Huggler, diretor de turismo de Crans-Montana. "Agora é muito importante cuidar deles."
Embora o turismo de inverno não tenha parado por completo, a cidade silenciou o clima de festa em respeito às vítimas. Shows foram cancelados e o resort local interrompeu a música nos bares localizados à beira das pistas de esqui.
Vítimas jovens
A vítima mais nova registrada até agora era uma adolescente suíça de 14. Outros vários tinham entre 16 e 18 anos. Dentre os que escaparam com ferimentos, a maioria tem queimaduras graves e extensas.
"(Viemos para) estar junto com as pessoas que estão sofrendo, que perderam alguém da família, filhos ou amigos," disse à agência de notícias Reuters Charlotte Schumacher, de 76 anos, que participou da procissão. "Eu conheço pessoas que perderam netos."
Durante a missa, o reverendo Gilles Cavin referiu-se à "terrível incerteza" das famílias que ainda não sabem se os seus parentes estão entre os mortos ou feridos.
A identificação das vítimas, de várias nacionalidades dentro e fora da Europa, foi um dos desafios para as autoridades, enquanto hospitais de diversos países recebiam os feridos. Até a tarde de domingo, 24 mortos haviam sido identificados, mas não tiveram seus nomes divulgados.
A polícia suíça alertou que poderia levar dias ou até semanas para identificar todas as vítimas.
Investigação criminal
As autoridades suíças abriram uma investigação criminal, e os proprietários do bar podem ser acusados de homicídio culposo (quando não há intenção de matar). O casal francês, Jacques e Jessica Moretti, já foi ouvido, apontam registros consultados pela AFP.
Investigações preliminares apontam que o fogo pode ter se espalhado quando velas de faísca — também conhecidas no Brasil como velas de vulcão ou cascata — colocadas em garrafas de champagne chegaram perto do teto do bar.
Espumas de isolamento acústico podem ter contribuído para que as chamas se espalhassem rapidamente, ainda segundo autoridades.
A moradora de Crans-Montana Paola Ponti Greppi, de 80 anos, defendeu mais verificações de segurança nos bares locais. "Por que a prefeitura não checou apropriadamente? Para mim, isso é terrível."
O governo do cantão de Valais disse que houve um flashover no bar, "resultando em uma ou mais explosões". O fenômeno ocorre quando quase todas as superfícies de um ambiente atingem simultaneamente a temperatura de ignição, fazendo com que o fogo se propague de forma súbita e generalizada.
ht (Reuters, AFP, Lusa)