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Ucrânia empregou mísseis ATACMS contra Rússia, diz Zelenski

18 de outubro de 2023

Projéteis americanos de longo alcance podem ter sido usados para destruir sistema antiaéreo e depósito de munição russos. Embaixador russo em Washington condena "grave erro".

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Lançamento de míssil ATACMS (Army Tactical Missile System)
Versão dos ATACMS fornecidas à Ucrânia têm alcance restrito a 165 kmFoto: U.S. Army/Avalon/Photoshot/picture alliance

A Ucrânia utilizou pela primeira vez os mísseis americanos de longo alcance ATACMS contra forças militares russas. "Hoje, agradecimentos especiais aos Estados Unidos. Nossos acordos com o presidente [Joe] Biden estão sendo implementados. Com muita precisão: os ATACMS provaram-se eficazes", anunciou o presidente Volodimir Zelenski nesta terça-feira (17/10), em seu discurso diário divulgado nas redes sociais.

Embora Zelenski não tenha dado mais detalhes sobre onde ou quando transcorreu a operação, antes as forças especiais ucranianas haviam registrado seu ataque a dois aeródromos russos, destruindo nove helicópteros militares, um sistema de mísseis antiaéreos e um depósito de munição.

Em comunicado, a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, Adrienne Watson, comentou: "Cremos que esses ATACMS darão um impulso significativo à capacidade ucraniana no campo de batalha, sem afetar nossa preparação militar." Os projéteis superfície-superfície têm alcance máximo de 300 quilômetros, porém a versão fornecida a Kiev está limitada a cerca de 165 quilômetros, esclareceu Watson.

Embaixador russo: "erro" terá consequências graves

Nesta quarta-feira, o embaixador russo em Washington, Anatoly Antonov, condenou esse apoio bélico: "A decisão da Casa Branca, de enviar mísseis de longo alcance aos ucranianos, é um grave erro. As consequências dessa ação, que foi deliberadamente ocultada do público, serão muito graves."

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou em 24 de fevereiro de 2022 a invasão da Ucrânia, alegando necessidade de "desmilitarizar" e "desnazificar" o país vizinho, assim como de se proteger contra a suposta ameaça de um avanço da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Europa.

A agressão russa é condenada por grande parte da comunidade, que tem respondido com apoio militar, humanitário e político a Kiev. Em 10 de setembro de 2023, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) registrava 9.614 civis mortos e 17.535 feridos no conflito.

O que são os mísseis ATACMS

Esse míssil pode atingir alvos a até 300 quilômetros de distância, e são projetados para "ataques profundos às forças inimigas", segundo o Exército dos EUA. Eles podem ser usados para atacar centros de comando e controle, defesas aéreas e locais de logística bem além da linha de frente.

Segundo o jornal Financial Times, inicialmente serão enviados a Kiev poucos ATACMS, e equipados com bombas de fragmentação, e não com uma única ogiva explosiva.

A decisão pelo uso das bombas de fragmentação, um armamento controverso e banido por 111 países, teria tido mais apoio no Pentágono pois não reduziria os estoques americanos de mísseis do tipo com ogivas unitárias.

Até agora, a Ucrânia vem usando mísseis de curto alcance dos EUA, os Himars, e mísseis de longo alcance produzidos pelo Reino Unido e pela França, o Storm Shadow.

Os ATACMS podem ser disparados da terra, a partir dos mesmos lançadores Himars já usados pela Ucrânia, enquanto que o Storm Shadow precisa ser disparado do ar, a partir de caças ucranianos.

av/cn (AFP,Reuters,ots)