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Cortes em 2026 podem pressionar preços, alerta especialista

29 de novembro de 2025

Moçambique está a preparar cortes em 2026 após rever em baixa o crescimento, mas Rogério Simango, do Fórum de Monitoria do Orçamento, acredita que Saúde e Educação serão poupadas, apesar dos preços inflacionados.

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Notas de metical
Revisão em baixa do crescimento económico pode ameaçar poder de compra dos moçambicanosFoto: DW/M. Sampaio

O Governo de Moçambique vai cortar gastos em projetos de investimento não prioritários no Orçamento do Estado para 2026, após revisão em baixa em 1,3 pontos percentuais do crescimento económico previsto para 2025.

O Governo tomou a decisão esta sexta-feira (28.11), em sessão do Conselho de Ministros, com a aprovação da proposta de lei que altera a proposta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado de 2026, a submeter à Assembleia da República.

Rogério Simango, investigador e responsável da coordenação do Fórum de Monitoria do Orçamento (FMO), organização não-governamental moçambicana, acredita que os cortes não afetarão alguns setores prioritários como a Saúde ou a Educação.

DW África: Acha que em 2026 poderá haver cortes em setores essenciais como a Saúde ou Educação, ou será que o Governo cumprirá a promessa de não tocar em "setores prioritários"?

Rogério Simango (RS): Certamente que os setores como a Educação, Saúde e Agricultura são tidos como setores que são um compromisso e são setores sociais que merecem uma atenção especial. Podem, sim, vir a não sofrer nenhum corte. No entanto, estamos ainda a aguardar a proposta revista para realmente avaliar o que está a ser dito.

DW: Quais serão os setores que, na sua perspetiva, que provavelmente irão sofrer cortes em 2026?

RS: Provavelmente outros setores, como setores económicos, de infraestrutura, de água e sociais.

DW: As previsões macroeconómicas para 2026 que o Governo fez são realistas?

RS: Considerando o cenário económico de 2025, foi claramente notado que existiam grandes desafios para as projeções que tinham sido feitas. Constatou-se que as previsões não iam ao encontro com a realidade atual, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística. Estão a registar uma tendência não muito boa.

DW: Teme que tudo isto tenha repercussões negativas no poder de compra dos moçambicanos?

RS: A leitura que que podemos fazer desses dados é que precisamos de olhar para aquilo que é a previsão da inflação. Certamente tem implicações porque, por exemplo, se nós formos a verificar a taxa de inflação, em algum momento a inflação corrói o poder de compra do orçamento que é alocado aos setores, por exemplo, para a compra de combustível para as ambulâncias, para a compra de insumos médicos… Em algum momento, com a subida da inflação, é provável que os preços dos bens e serviços no mercado também sejam inflacionados e os setores não tenham capacidade de fazer face aquilo que são as suas necessidades em termos de manutenção da sua operação normal.

DW: Há quem diga que a implementação do programa de ajustamento financeiro do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Moçambique vai também ter repercussões negativas no poder de compra dos moçambicanos. Concorda?

RS: Certamente existem já rumores nesse sentido que dão esta indicação de que verdadeiramente pode haver esse efeito com a retoma do FMI. 

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