Cimeira UA-UE: Líderes destacam mais-valias da cooperação
24 de novembro de 2025
Reforçar a cooperação, aumentar os investimentos, criar mais-valias tanto para a Europa como para África: foram intenções repetidas várias vezes no início da cimeira União Africana-União Europeia, esta segunda-feira, em Luanda.
A cimeira de dois dias, que reúne dezenas de líderes africanos e europeus na capital angolana, foca questões como o comércio, a migração e a segurança.
Para o chefe de Estado angolano e presidente em exercício da União Africana, João Lourenço, é essencial que África e a Europa caminhem de mãos dadas em nome do desenvolvimento das suas populações e em defesa da ordem internacional.
A voz africana
Lourenço lembrou, a propósito, o conflito israelo-palestiniano e a invasão russa da Ucrânia.
"Esta situação de deterioração grave da situação de segurança na Europa, em África e no Médio Oriente, ao mesmo tempo, decorre da não observância e obediência aos princípios plasmados na carta das Nações Unidas e do direito internacional", referiu Lourenço, acrescentando que membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas têm agravado a situação, ao ignorar e desautorizar "o próprio órgão de que são membros com as suas medidas unilaterais."
Essas medidas, criticou João Lourenço, são baseadas "na força da força" e não nos princípios consagrados universalmente. O presidente em exercício da União Africana apelou, por isso, ao "resgate" da cooperação internacional "para o bem de toda a humanidade".
A "voz de África" deve também ser mais escutada nas maiores instâncias internacionais, lembrou João Lourenço, e a pobreza que "dominou o panorama do continente" durante décadas tem de acabar: para isso, os países africanos deveriam aceder a financiamento "com custos comportáveis", explicou Lourenço.
Efeitos do colonialismo "ainda visíveis"
Durante a cerimónia de abertura da cimeira UA-UE, esta segunda-feira, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, apontou para o "enorme potencial" que o reforço da parceria entre os dois blocos pode significar em áreas como o comércio.
O ex-primeiro-ministro português afirmou que o colonialismo terminou há 50 anos, mas "os seus efeitos ainda não".
"Há 50 anos terminaram as colónias europeias em África. Foi assim posto fim a um ciclo de 500 anos de colonialismo, cujo momento seguramente mais dramático foi o comércio de escravos. As colónias terminaram, mas infelizmente os efeitos do colonialismo não terminaram nessa altura", afirmou Costa, acrescentando que a EU e a UA devem combater isso em conjunto.
António Costa salientou, por outro lado, que investir em segurança em África é investir na segurança europeia, particularmente num momento em que a Europa continua a braços com uma guerra.
Lado a lado com João Lourenço, em Luanda, António Costa garantiu que a União Europeia "está disposta" a reforçar o apoio à segurança em África, com um leque de ferramentas, "desde missões civis e militares, até à consolidação da paz, estabilização, combate a ameaças híbridas, ciberataques, desinformação, terrorismo".