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MédiaAlemanha

Como a inteligência artificial impacta o jornalismo?

29 de janeiro de 2026

Evento "Romper notícias? Perspectivas globais sobre o futuro do jornalismo na era da Inteligência Artificial", realizado em Berlim, pela Academia DW, reuniu especialistas para debater os desafios e oportunidadades da IA.

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Evento em Berlim realizado pela DW Akademie
O evento foi organizado pela Academia DW, que capacita jornalistas e profissionais de média em todo o mundo Foto: B.Geilert/DW

Imagine um mundo em que as notícias já não chegam pela voz de jornalistas, mas por apresentadores "quase humanos", virtuais, gerados por inteligência artificial (IA). Textos automáticos substituem a escrita humana, editores desaparecem das redações e tudo é revisto por algoritmos. O jornalismo como conhecemos deixa de existir e o que resta é o poder de quem decide o que publicar e quando.

A cena parece distópica. Poderia sair de um romance de José Saramago, como em "Ensaio sobre a Cegueira", no dia em que todos acordam sem mais poder ver, ou de George Orwell, em 1984, em "Quem controla a linguagem, controla o pensamento". Tudo parece exagero, mas talvez não estejamos tão longe disso.

Do Quénia, Monicah W. Ndnung'u, da Nation Media Group, uma das maiores empresas de média locais, relata as transformações já provocadas pela IA. "Estamos constantemente a tentar atender às necessidades do nosso público. Criámos novas plataformas. Tudo isso impacta os nossos negócios, porque seguimos onde os consumidores estão. Mas como garantir que isso torne nosso negócio sustentável?", questiona.

Monicah W. Ndung’u
Queniana Monicah W. Ndung’u sugere "usar-se a própria IA para compreender melhor os seus impactos"Foto: Taina Mansani/DW

Debate

Para debater impactos e estratégias da IA, a Academia DW reuniu especialistas de todo o mundo. Em consultas realizadas na Ásia, América Latina, Médio Oriente, Europa Oriental e África, jornalistas, líderes tecnológicos e formuladores de políticas discutiram soluções para proteger o jornalismo na era da IA e avaliar essas mudanças.

A queniana Monicah W. Ndnung'u destaca algumas estratégias surgidas em Berlim. "Acho que uma das estratégias é a colaboração, como ouvimos no grupo da Índia. Usar a própria IA para compreender melhor os impactos", disse à DW.

Mas não é só isso. Analistas concordam que a IA pode tornar-se uma aliada do jornalismo, criando uma relação de simbiose, não de substituição. Ferramentas tecnológicas ajudam, mas não podem substituir o valor das boas histórias locais e do fator humano, que cada região traz.

Jornalismo e Inteligência Artificial em Berlim
Evento da DW Akademie: Jornalismo e Inteligência ArtificialFoto: Taina Mansani/DW

E como essas transformações impactam os diferentes países africanos? Phathutshedzo Manenzhe, analista sénior da Comissão da Concorrência da África do Sul, explica que "quanto mais desenvolvido o país, maior o efeito da IA. Quanto menos desenvolvido, menor, porque o país não está tão exposto à tecnologia. Entre os países africanos, a África do Sul é um lugar onde a IA é uma grande preocupação", explica.

À medida que os ambientes mediáticos são moldados pela IA, perguntas sobre as regras do jogo tornam-se mais urgentes. Um dos temas centrais do debate foi a relação entre criadores de conteúdo e as grandes empresas tecnológicas, as chamadas big techs.

Negociar com empresas

Na África do Sul, surgiu a alternativa de negociar e fazer com que essas empresas investissem em literacia digital. "Uma das coisas que conseguimos negociar com as grandes empresas de tecnologia, especialmente os fornecedores de IA, foi que elas precisam investir em literacia digital - ou seja, explicar às pessoas sobre desinformação, como identificar deepfakes, notícias falsas ou informações enganosas", disse.

Koliwe Majama, consultora de políticas de Internet do Zimbábue
Koliwe Majama, consultora de políticas de Internet do ZimbábueFoto: Taina Mansani/DW

Koliwe Majama, consultora de políticas de Internet do Zimbábue, antevê que, "em alguns anos, o jornalismo trabalhará lado a lado com empresas de tecnologia para melhorar seus sistemas de IA. Não podemos fugir do facto de que a tecnologia está a evoluir e que a forma como as pessoas acessam a notícia é diferente", argumenta.

Por outro lado, Winnifred Mahama, diretora interina do Departamento de Serviços de Informação do Gana, alerta que é preciso pensar em uma abordagem global. "É importante que cada país tenha um quadro legal de regulação sobre como as grandes empresas de tecnologia operam no território. Mas também existe a necessidade de cooperação regional e global - porque a gestão da informação é um problema que ultrapassa fronteiras".

O evento na capital alemã foi organizado pela Academia DW, que capacita jornalistas e profissionais de média em todo o mundo, oferecendo cursos e formações práticas em jornalismo, multimédia e comunicação digital, com foco em ética, qualidade e inovação.

Gana quer entrar na revolução da inteligência artificial

Tainã Mansani Jornalista multimédia