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Etiópia: Uma eleição sem surpresas?

8 de junho de 2026

O governista Partido da Prosperidade, da Etiópia, está prestes a conquistar uma vitória eleitoral decisiva, apesar dos desafios de segurança, da oposição dividida e de algumas regiões não participarem na votação.

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Eleitores etíopes
Resultados preliminares já foram divulgados em algumas regiões, e espera-se amplamente que o governista Partido da Prosperidade mantenha o poderFoto: Esayas Gelaw/DW

A recente eleição parlamentar, a 1 de junho, realizada na Etiópia foi descrita como "pacífica", apesar da exclusão de partes do país devido à insegurança.

A Etiópia é o segundo país mais populoso de África, e quase 50 milhões de pessoas registaram-se para votar nas eleições. No entanto, a insegurança em duas das regiões mais populosas, Amhara e Oromia, levou à suspensão da votação em pelo menos 140 círculos eleitorais.

A votação também foi suspensa em Tigray, a quarta região mais populosa do país, com os organizadores das eleições a citarem "condições desfavoráveis".

Reações mistas

Apesar da suspensão da votação em algumas áreas, uma declaração conjunta da Missão de Observação Eleitoral da União Africana e da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) descreveu as eleições como pacíficas.

"A missão da IGAD estende ainda as suas sinceras felicitações ao governo e ao povo da Etiópia pela condução geralmente pacífica e ordeira do processo eleitoral", afirmou Speciosa Wandira-Kazibwe, antiga vice-presidente do Uganda e chefe da Missão de Observação da IGAD.

Wandira-Kazibwe acredita que a condução pacífica das eleições coloca a Etiópia no caminho da "estabilidade, do constitucionalismo e do progresso democrático". Mas as reações foram divergentes entre os partidos políticos quanto aos resultados do dia da votação.

O partido Cidadãos Etíopes pela Justiça Social (Ethiopian Citizens for Social Justice), sediado no Estado Regional do Sul da Etiópia, afirmou que, "de modo geral, a situação foi positiva, sem grandes problemas registados".

Mas a Coligação para a Unidade Etíope (Coalition for Ethiopian Unity) e o Partido Democrático do Povo Kucha apresentaram uma queixa ao Conselho Nacional Eleitoral da Etiópia, alegando privação do direito de voto de alguns dos seus membros.

"Os nossos eleitores não conseguiram exercer o seu direito constitucional de eleger os seus próprios representantes", declarou Bandira Belachew, do Partido Democrático do Povo Kucha, aos jornalistas.

O partido solicitou a anulação das eleições no círculo eleitoral de Kucha com base nessas alegações.

Nenhum desafio?

Embora os resultados eleitorais não sejam esperados antes de 10 dias após a votação, muitos observadores e analistas preveem uma vitória esmagadora do Partido da Prosperidade, partido governista do primeiro-ministro Abiy Ahmed.

O Partido da Prosperidade detém atualmente 457 dos 547 assentos da Câmara dos Representantes e deverá manter-se no poder.

"Temos partidos da oposição muito fragmentados e fracos, que não conseguiram representar uma ameaça séria ao partido no poder", afirmou o analista Bizuneh Yimenu, da Queen's University, em Belfast.

Em declarações à DW, disse que os desequilíbrios de poder entre o Partido da Prosperidade e os partidos da oposição podem tornar as eleições pouco competitivas.

Mistresilasie Tamerat é uma das poucas candidatas mulheres
Mistresilasie Tamerat é uma das poucas candidatas mulheres na disputa e, aos 23 anos, também é a mais jovemFoto: Mistre Silasie Tamerat

No entanto, a líder do Partido Revolucionário do Povo Etíope (Ethiopian People's Revolutionary Party), Mistresilasie Tamerat, a candidata mais jovem nestas eleições, discorda da narrativa de uma oposição "fraca". "Se a oposição fosse fraca, não haveria qualquer desafio ao governo", afirmou à DW.

A Coligação para a Unidade Etíope (CEU), uma aliança de cinco partidos políticos, criticou o processo eleitoral, afirmando que foi manipulado e que os seus resultados devem ser rejeitados.

"Não vamos aceitar quaisquer resultados que sejam anunciados, mesmo que vençamos. Se o processo é manipulado, certamente não podemos esperar resultados democráticos, livres e justos", declarou Tamerat à DW. O seu partido integra a CEU.

Nas eleições etíopes de 2005, os partidos da oposição levantaram preocupações semelhantes, rejeitando os resultados eleitorais, o que levou a protestos generalizados em todo o país. Em 2010, os partidos da oposição levaram o então partido governista, a Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (Ethiopian People's Revolutionary Democratic Front), aos tribunais por alegações de fraude eleitoral.

Ainda não é claro quais serão os próximos passos das atuais figuras da oposição, particularmente da CEU, após a divulgação dos resultados.

Eleições na Etiópia 2026
A eleição tem recebido elogios, mas também críticas, quanto ao seu grau de competitividadeFoto: Shewangizaw Wegayehu/DW

Etiópia após as eleições?

Para além das alegações de fraude, os desafios de segurança persistem. Para alguns analistas, o facto de a votação ter sido suspensa em partes de Amhara, Oromia e Tigray demonstra o impacto de conflitos ainda não resolvidos.

Se o Partido da Prosperidade garantir mais um mandato de cinco anos, o governo do primeiro-ministro Abiy Ahmed enfrentará pressão para dar prioridade à construção da paz.

"Espero que utilizem os próximos cinco anos para realmente proporcionar aquilo de que a maioria do país precisa e merece, que é paz e segurança", afirmou o analista Bizuneh Yimenu.

Azeb Tadesse-Hahn também contribuiu para este artigo.

Editado por: Cai Nebe

Adwoa Domena Adwoa especializa-se em reportagens sobre o mundo dos negócios e histórias de interesse humano.