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Guiné-Bissau: Acirrada corrida eleitoral agita o país

25 de setembro de 2025

Entre rejeições, acusações e alianças desfeitas, terminou hoje o prazo para candidaturas às eleições gerais de 23 de novembro. José Mário Vaz regressa, Embaló recandidata-se e Domingos Simões Pereira pode ficar fora.

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Eleitor do PAIGC leva a bandeira do partido (foto de arquivo)
Domingos Simões Pereira corre o risco de não disputar as eleições por decisão judicial. Nesta imagem, um eleitor do PAIGC leva a bandeira do partido (foto de arquivo) Foto: picture-alliance/dpa/M. Cruz

O ex-Presidente da República, José Mário Vaz, entrou de novo no cenário político, anunciando a sua candidatura à Presidência, enquanto o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, busca a sua reeleição. Já Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, corre o risco de não disputar as eleições por decisão judicial.

Tudo indica, por isso, que as eleições gerais de 23 de novembro na Guiné-Bissau serão bastante disputadas.

Candidatos à Presidência

Entre as principais figuras políticas que submeteram as suas candidaturas no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) para concorrer à Presidência da República estão: o Chefe de Estado cessante, Umaro Sissoco Embaló; o ex-Presidente da República, José Mário Vaz, suportado pelo partido COLIDE-GB; Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC; Nuno Gomes Nabiam, da APU-PDGB; Fernando Dias, da Coligação API Cabas-Garandi; João Bernardo Vieira, do PAIGC;entre outros candidatos.

Ao anunciar a formalização da sua candidatura esta quinta-feira, o ex-Chefe de Estado, José Mário Vaz, afirmou que "chegou a hora de colocar na cadeira um outro cidadão para conduzir o destino do país".

"Sendo o poder do povo, venho novamente a estas eleições com o objetivo de concluir a obra inacabada iniciada durante os cinco anos do meu mandato", disse.

Mandatários de Umaro Sissoco Embaló na entrega das candidaturas
Mandatários de Umaro Sissoco Embaló na entrega das candidaturasFoto: Djariatú Baldé/DW

O Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, conta com o apoio da Coligação Plataforma Republicana No Kumpu-Guiné na busca da sua reeleição como Presidente da Guiné-Bissau. Também já submeteu a sua candidatura no Supremo através dos seus mandatários.

À imprensa, Marciano Silva Barbeiro disse que o propósito da recandidatura de Sissoco Embaló é claro. "Falamos das realizações do General Umaro Sissoco Embaló no processo de desenvolvimento da Guiné-Bissau em todos os sectores. Há muita coisa que, de facto, convence todo o povo da Guiné-Bissau a apoiar a recandidatura do General Umaro Sissoco Embaló", argumentou.

Cenário político agitado

Entretanto, o cenário político guineense está bastante agitado. Partidos e coligações intensificam as estratégias rumo ao embate eleitoral, mas há outros que desfazem as alianças. Por exemplo, Nuno Gomes Nabiam saiu da Coligação API-Cabas Garandi e o seu partido, o APU-PDGB, já entregou a sua candidatura à Presidência da República no STJ.

Durante a entrega da candidatura, o Secretário do APU, Agostinho da Costa, disse que o partido já não partilha a mesma visão política com a Coligação API.

"A nossa candidatura reflete sobre os problemas da Guiné-Bissau, sobretudo resgatar o país para sairmos deste marasmo. A nossa maior preocupação é para que nós, políticos, assumamos a nossa responsabilidade e conduzamos este país para um contexto onde haverá liberdade de expressão", disse.

Supremo Tribunal de Justiça da Guiné-Bissau
Terminou hoje o prazo para a entrega das candidaturas no Supremo Tribunal de Justiça da Guiné-Bissau Foto: Djariatú Baldé/DW

Já Fernando Dias, líder de uma das alas do Partido da Renovação Social (PRS), suportado pela Coligação API na disputa às presidenciais, apelou aos responsáveis do processo eleitoral para que deixem a democracia funcionar.

"O candidato à Presidência da República é o Fernando Dias. A Guiné-Bissau é um país democrático. Portanto, devemos deixar a democracia funcionar. Impedir a API e a coligação Pai Terra-Ranka de participarem nas eleições é um ato de covardia", explicou.

Coligações, bloqueios e  recurso judicial

Para as legislativas, os partidos decidiram avançar em coligações e, entre os inscritos para estas eleições, estão a Coligação Pai Terra-Ranka, que venceu as últimas eleições legislativas na Guiné-Bissau, a Coligação API Cabas-Garandi e a Coligação Plataforma Republicana No Kumpu-Guiné.

Mas a Coligação Pai Terra-Ranka poderá não participar nas eleições de 23 de novembro. Isto porque o Supremo Tribunal de Justiça rejeitou o pedido de inscrição desta coligação, alegando impossibilidade de analisar o requerimento dentro dos prazos legais.

Uma ação considerada como "falta de igualdade no processo eleitoral" pelas coligações Pai Terra-Ranka e API Cabas-Garandi, que denunciaram uma suposta tentativa de bloquear as suas participações nas eleições.

Entretanto, segundo fontes, a Pai Terra-Ranka avançou esta quinta-feira com um recurso contra a decisão do Supremo Tribunal de Justiça de rejeitar a formalização da coligação para as eleições gerais de novembro.

Membros da Coligação PAI Terra Ranka durante a entrega das candidaturas
Membros da Coligação PAI Terra Ranka durante a entrega das candidaturasFoto: Djariatú Baldé/DW

Em conferência de imprensa realizada esta quinta-feira, o Supremo Tribunal de Justiça, que exerce competências de Tribunal Eleitoral, explicou as razões do indeferimento da inscrição da referida coligação.

Mamadu Embaló, o porta-voz do órgão máximo da justiça guineense, disse que "os partidos políticos signatários do acordo político da coligação Pai Terra-Ranka entregaram o requerimento da sua comunicação para o devido efeito só no dia 19 do mês de setembro, sexta-feira, quando faltava apenas três dias úteis para o fim do prazo estabelecido."

"O plenário teria de apreciar e decidir o requerimento de inscrição do referido convénio político fora do prazo limite não só de legalização da coligação como também de apresentação da candidatura", acrescentou.

Legalidade

Com o fim do prazo para a entrega das candidaturas esta quinta-feira, resta ao Supremo avaliar a legalidade das mesmas e publicar a lista dos concorrentes aprovados, o que deverá acontecer num prazo de oito dias, segundo a lei eleitoral guineense.

Nos próximos oito dias ficará decidido quem estará efetivamente na corrida às eleições gerais na Guiné-Bissau - presidenciais e legislativas - num cenário político marcado por divisões internas, disputas judiciais e incertezas quanto ao desfecho do processo.

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Djariatú Baldé Correspondente da DW África em Bissau