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Histórico do PAIGC: "O partido não pode ser capturado!"

17 de março de 2026

Duas fações do histórico PAIGC da Guiné-Bissau anunciaram que vão organizar, em diferentes datas, o congresso ordinário que elegerá o líder e que estava programado para novembro. O partido mostra sinais de fragmentação.

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Guinea Bissau PAIGC  Parteizentrale 2010
O PAIGC comemora este ano o seu 70. aniversário. Ao longo da história viveu vários momentos de crise. A crise atual é uma das mais severas. Foto: Moussa Balde/epa/picture alliance

Um grupo de dirigentes e militantes descontentes que se autointitula "grupo de reflexão", supostamente liderado por João Bernardo Vieira, que ocupa atualmente cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros, já tinha pedido publicamente a antecipação do congresso pelo facto de o presidente do partido, Domingos Simões Pereira, se encontrar em prisão domiciliária no contexto de um suposto golpe militar de 26 de novembro de 2025. 
 
O grupo anunciou esta segunda-feira (16.03) que marcou para 9 e 10 de maio o XI congresso ordinário, no mesmo dia em que a comissão permanente do PAIGC informou que reunirá o Comité Central a 28 de março "com vista à convocação do XI Congresso Ordinário (...) e com a recomendação de fixar uma data, em meados de 2026. 
 
Mário Dias Sami, um dos líderes históricos do PAIGC, ex-ministro e ex-secretário de Estado e ex-deputado, defende a liderança de Domingos Simões Pereira, admitindo no entanto, que o partido atravessa mais um momento difícil na sua longa história de 70 anos. 

João Bernardo Vieira
João Bernardo Vieira, ministro dos Negócios Estrangeiros da Junta Militar, é tido como um dos representantes do autointitulado "grupo de reflexão" que exige a retirada de Domingos Simões PereiraFoto: Privat

DW ÁFRICA: O PAIGC não goza de boa saúde?

Mário Dias Sami (MDS): O PAIGC atravessa, de facto, um momento muito difícil da sua história. Mas este partido sempre soube encontrar soluções para os problemas que enfrentou. Nunca o PAIGC se desviou dos seus princípios básicos, nunca. O PAIGC vai comemorar 70 anos desde a sua fundação. O PAIGC é um património nacional.

DW África: Mas agora estamos numa situação em que mais uma vez o partido está dividido entre uma ala denominada grupo de reflexão, que quer uma nova liderança e um congresso extraordinário já em maio, e a outra ala que reconhece o atual Comitê Central e o líder Domingos Simões Pereira...

MDS: Na verdade, este ano vai ser ano do congresso, Mas para isso o partido tem um órgão competente, que é o Comitê Central. O Comitê Central tem a competência exclusiva de marcar a data do congresso. Não pode ser nenhum autointitulado grupo de reflexão. Nós temos mais de meio século da nossa militância no PAIGC, não vamos deixar que alguém contribua para estragar o nosso partido. Ninguém.

Guinea-Bissau Bissau 2026 | Domingos Simões Pereira, Vorsitzender der PAIGC
Domingos Simões Pereira, Presidente do PAIGC, foi detido na sequência do suposto golpe militar de 26 de novembro de 2025. Atualmente se encontra em prisão domiciliária.Foto: Privat

DW África: Mas Domingos Simões Pereira, que se encontra em prisão domiciliária, tem condições neste momento de continuar a liderar o PAIGC?

MDS: O Domingos Simões Pereira é o líder do nosso grande histórico e glorioso partido. Ninguém mais! O grupo de reflexão não tem legitimidade, não pode haver nenhum grupo que pensa que pode saltar o poder. Não pode! Nós não podemos tolerar atos individuais contrários aos interesses do partido. O Domingos Simões Pereira ganhou o congresso que nós fizemos em 2022, ganhou o congresso. Os cidadãos guineenses e militantes do PAIGC devem respeitar Domingos Simões Pereira. Há uma situação difícil, em que ele se encontra. Nós devemos ser defensores intransigentes do Domingos Simões Pereira.

DW África: E quem é que estará por trás desse denominado grupo de reflexão? Será João Bernardo Vieira?

MDS: Eu não quero entrar em pormenores. Apenas quero lançar a seguinte questão: Quando é que o João Bernardo Vieira, entrou no PAIGC? Quando? Quando é que ele entrou no PAIGC?

DW África: O partido estará preparado para eleições este ano? E haverá eleições este ano?

MDS: Se vai haver ou não eleições este ano depende exclusivamente do alto comando militar. O nosso partido PAIGC, a qualquer momento, está preparado, está pronto, está apto para participar nas próximas eleiçõese para ser vencedor dessas eleições. Se forem marcadas eleições vamos para eleições. Chamo apenas atenção apra a seguinte situação; Quando todos os partidos, todas as formações políticas, têm as suas sedes encerradas, têm as suas estruturas encerradas, o seu património cívico, tem isso tudo encerrado, como é que podemos nos preparar para eleições? Mas quando chegar o dia, vamos preparar eleições, vamos fazer as nossas reuniões nas nossas casas, enfrentar e entrar numa ação frontal contra quem quer que seja. Vamos defender o PAIGC, mostrando que nós participamos no processo revolucionário, como partido que criou o Estado da Guiné-Bissau. Isso vamos fazer!

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