Israel lança operação terrestre contra a Cidade de Gaza
16 de setembro de 2025
A emissora de rádio israelita Kan relatou durante a última noite que tanques do Exército avançaram pelo centro da capital do enclave, enquanto fontes de Gaza informaram que os veículos blindados avançavam e recuavam progressivamente desde a periferia, numa tentativa de ganhar terreno.
"O Exército começou a desmantelar a infraestrutura terrorista na Cidade de Gaza", anunciou o porta-voz em árabe das Forças Armadas, Avichay Adraee, num comunicado publicado na rede social X.
O porta-voz garantiu que Gaza é uma "zona de combate perigosa" e alertou a sua população que "permanecer na cidade coloca-vos em risco".
Genocídio
Nesta terça-feira, uma comissão independente da ONU tornou-se hoje o primeiro organismo a considerar que está a ser factualmente cometido um genocídio em Gaza, situação que compara às determinadas no passado na Bósnia (antiga Jugoslávia), Ruanda e Darfur (Sudão).
A conclusão, tomada pela Comissão Internacional Independente da ONU sobre os Territórios Palestinianos Ocupados, segue critérios específicos e tem consequências não só políticas, mas também jurídicas e de responsabilização.
Também hoje, o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, criticou a operação ampliada de Israel em Gaza como "completamente equivocada" e pediu um cessar-fogo e um acordo para a libertação dos reféns em seu lugar.
Operação
"Iniciámos uma poderosa operação na Cidade de Gaza", declarou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, antes do início da sessão desta terça-feira do seu julgamento por corrupção, segundo informou a imprensa local.
"Não sei quantos dias vamos aguentar. A situação aqui é catastrófica. Podemos morrer a qualquer momento", disse um funcionário do Ministério da Saúde de Gaza, também refugiado na capital da Faixa.
Paralelamente ao movimento dos tanques, Israel intensificou os bombardeamentos contra a capital, recorrendo a mísseis, drones, fogo de artilharia e disparos de helicópteros.
Até ao momento, pelo menos 41 pessoas morreram na Faixa após a noite de ataques israelitas, que também se intensificaram no centro do território, provocando a morte de quatro palestinianos. Só na capital, pelo menos 37 pessoas foram mortas pelo exército de Israel.
Em meados de Agosto, a Cidade de Gaza acolhia cerca de um milhão de pessoas. Desde que Israel anunciou a sua intenção de invadir a capital e intensificou os bombardeamentos para forçar a saída da população, passou a ocorrer um êxodo em direcção ao sul.
Embora o Exército israelita afirme que cerca de 350 mil pessoas abandonaram a Cidade de Gaza, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) reduziu esse número, na segunda-feira, para cerca de 142 mil.