Merz avisa que liberdade da Europa já não é adquirida
13 de fevereiro de 2026
O chanceler alemão, Friedrich Merz, avisou hoje que, "na era das grandes potências", a liberdade da Europa "já não é adquirida, está ameaçada", defendendo a necessidade de "firmeza e vontade para afirmar essa liberdade".
Intervindo na abertura da Conferência de Segurança de Munique, o chefe do Governo alemão acrescentou que a Europa deve estar pronta para "empreender novos começos, assumir mudanças e fazer sacrifícios", "não um dia, mas agora", à medida que os países europeus aumentem os seus gastos militares perante a ameaça russa e o afastamento dos Estados Unidos (EUA).
"A nossa tarefa enquanto europeus, e claro também como alemães, é aceitar esta nova realidade hoje. Isso não significa que o aceitemos como um destino inevitável. Podemos moldá-la", afirmou, reiterando a defesa dos interesses e valores europeus e a abertura a alianças com países como o Canadá, Japão, Brasil, Turquia e Índia, nas quais os acordos são respeitados e os conflitos resolvidos conjuntamente.
Europa deve criar a sua própria agenda estratégica
Na conferência que reúne líderes mundiais no sul da Alemanha, o chanceler alemão sublinhou que, do ponto de vista europeu, é necessário um passo em frente e um compromisso com os próprios pontos fortes.
"Assim resistiremos à tempestade e preservaremos a nossa liberdade. Vamos abrir novas portas. Vamos aproveitar novas oportunidades", apelou, defendendo que a Europa crie "a sua própria agenda".
"Estamos a focar-nos em nós próprios. Esta agenda está a desenvolver-se gradualmente e estamos a implementá-la a toda a velocidade", afirmou.
Merz, neste ponto, enfatizou a solidariedade europeia.
"Fantasias hegemónicas, não. Nunca mais nós, os alemães, agiremos sozinhos", declarou, assegurando que esta é a "lição duradoura" aprendida pela nação alemã na sua história e depois de sublinhar que a liberdade é afirmada "apenas em conjunto com vizinhos, aliados e parceiros".
Merz quer alianças globais
O líder alemão sustentou também que a ordem unipolar que surgiu após a queda do Muro de Berlim terminou e que a aspiração dos Estados Unidos à liderança está a ser desafiada, se não foi já completamente perdida.
O chanceler alemão descreveu um cenário global dominado pela política das grandes potências, que se afasta da ordem baseada em regras e opta por esferas de influência, um contexto em que os países democráticos "colidem com os limites da sua capacidade de agir".
"O regresso à política do poder, no entanto, não se baseia apenas na rivalidade entre a China e os Estados Unidos", disse, salientando que esta estratégia "tem as suas próprias regras" e é marcada por ser "rápida, dura e muitas vezes imprevisível", bem como por instrumentalizar as dependências de outros.
Sobre a relação entre a Europa e os Estados Unidos, fragilizada pela imposição de tarifas e críticas sobre a NATO do Presidente norte-americano, Donald Trump, Merz reconheceu que se abriu "um fosso cultural", mas lançou um apelo "aos amigos americanos" da Europa.
"Vamos reparar e reviver juntos a confiança transatlântica", pediu.
Chanceler alerta para era marcada por rivalidade e imprevisibilidade
"Na era da rivalidade entre grandes potências, nem mesmo os Estados Unidos serão suficientemente poderosos para agir sozinhos", acrescentou, um ano após um discurso no mesmo local do vice-presidente dos EUA, JD Vance, que criticou os europeus por não terem assumido controlo suficiente da sua própria defesa.
Merz pediu para não se desvalorizar o potencial da relação com os EUA: "Não estou convencido quando, por vezes, se exige automaticamente que a Europa simplesmente desista dos Estados Unidos como parceiro. Compreendo o desconforto que leva a tais afirmações, e partilho parte dele. Mas, mesmo assim, estas declarações não foram totalmente pensadas", afirmou.
Revelou ainda que manteve conversações iniciais com o Presidente francês, Emmanuel Macron, sobre a dissuasão nuclear europeia, e sublinhou que não permitirá que áreas com diferentes níveis de segurança surjam na Europa.
Merz garantiu que a Alemanha está a cumprir rigorosamente as obrigações legais no âmbito da NATO.