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Moçambique: FMI quer ver para crer nas reformas de Chapo

20 de fevereiro de 2026

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que Moçambique necessita urgentemente de reformas estruturais. Economistas dizem que o Governo do Presidente Daniel Chapo tem de pôr mãos à obra.

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Daniel Chapo, Presidente moçambicano
Daniel Chapo prometeu reformas estruturais para manter capacidade de financiamento externo do país. Será que está no bom caminho?Foto: Amanuel Sileshi/AFP

Economistas ouvidos pela DW África alertam para os riscos reputacionais de Moçambique, após a divulgação do último relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Presidente Daniel Chapo prometeu reformas, mas, para já, o FMI afirma que os desafios do país continuam enormes, com destaque para a dívida pública, os desequilíbrios fiscais e a necessidade de maior transparência. 

Moçambique precisa de financiamento adicional

O economista Gabriel Manguele considera que o relatório do Fundo pode ter implicações sobre a capacidade de Moçambique de mobilizar financiamento adicional.

Segundo Manguele, Moçambique já está financeiramente frágil e com dificuldade crescente para se financiar, e será preciso apertar o cinto para evitar uma crise antes de 2030: "Este diagnóstico piora a nossa posição enquanto devedores. Isto tem custos reputacionais, apesar de ser verdade", afirma.

Logotipo do Fundo Monetário Internacional
Fundo Monetário Internacional, com sede em Nova Iorque, no seu último relatório, deu nota negativa a Moçambique.Foto: SNA/IMAGO

Para o economista, é imperativo que o Estado prepare o terreno nos próximos 12 meses para implementar reformas que melhorem a avaliação externa: "Até lá, é importante conseguirmos implementar reformas estruturantes que nos permitam ter uma avaliação melhor para que possamos projetar para o mundo uma imagem melhor", diz.

Por outro lado, o economista Firmino Xavier recorda que Moçambique ainda sofre as consequências de ter estado na lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira (GAFI), de branqueamento de capitais. O país terá conseguido sair em outubro passado dessa lista, mas há muitas outras questões ainda por resolver. Nomeadamente: "Fatores como a sustentabilidade da dívida, reformas estruturais credíveis, transparência fiscal e volatilidade a choques externos".  Esses fatores explicam a avaliação negativa do FMI, segundo Firmino Xavier.

Ainda há margem para leitura mais positiva

O analista financeiro Dereck Mulatinho apresenta uma leitura mais otimista. Segundo ele, ainda há espaço para alcançar uma avaliação positiva. O analista recomenda medidas concretas, entre elas "acelerar auditorias para detetar funcionários fantasmas, alargar a base tributária, combater a evasão fiscal e fortalecer o sector privado."

Dereck Mulatinho avança ainda que "o alargamento da base tributária, considerando que mais de 50% da economia está no setor informal, deve ser acompanhado de medidas que garantam que essa parte da economia migre para o setor formal”.

Notas de metical, moeda moçambicana
O governo de Daniel Chapo conseguiu reduzir o défice orçamentalFoto: Delfim Anacleto/DW

FMI reconhece esforços para reduzir défice

Entretanto, também há pontos positivos. O FMI estima que o défice orçamental tenha saído de dos 6,2 % em 2024 para 4,5% em 2025; prevê ainda um crescimento económico moderado em torno de 2%. Mas recomenda ao Governo a implementação de um pacote abrangente de reformas para consolidar a estabilidade macroeconómica e lançar bases para um crescimento mais forte e duradouro

Os economistas ouvidos pela DW - uns mais, outros menos pessimistas - exprimem uma dúvida: Será que Moçambique conseguirá implementar as reformas estruturais pedidas pelo FMI nos próximos 12 meses?

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Silaide Mutemba Correspondente da DW África em Maputo
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