Moçambique: Jornalista da STV é alvo de atentado em Manica
5 de fevereiro de 2026
O jornalista Carlitos Cadangue, correspondente da STV em Chimoio, capital provincial de Manica, foi vítima de um atentado à mão armada na noite desta quarta-feira (04.02). A viatura em que seguia foi atingida por vários disparos no momento em que chegava à sua residência.
"Estava a conduzir e, quando faltavam cerca de 300 metros para chegar a casa, vi uma viatura à minha frente, uma Ford Ranger preta. Na matrícula só consegui ver as letras A, H e E, não consegui ver os números”, relatou o jornalista.
O atentado ocorreu no bairro de Trangapasse, nos arredores da cidade de Chimoio. Segundo informações preliminares, indivíduos desconhecidos e encapuzados abriram fogo contra a viatura e colocaram-se em fuga.
Circunstâncias
As circunstâncias e motivações do ataque ainda são desconhecidas e, apesar do ataque, ele e o filho saíram ilesos. Cadangue contou que foi depois de o filho alertar, dizendo "bandidos”, que virou bruscamente o volante e ouviu rajadas de tiros. "Foram vários disparos”, afirmou.
Segundo o jornalista, os dois homens estavam encapuzados, trajavam uniforme do tipo "pingo de chuva”, uma das fardas usadas pela polícia moçambicana, e portavam pistolas.
"Quando o tiro entrou pelo lado do passageiro, eles acreditaram que eu tinha morrido. Penso que foi isso. Então, a viatura deles saiu em alta velocidade e eu também segui rapidamente para casa”, detalhou.
O jornalista denunciou ainda que tem recebido "alertas” de que estaria a ser procurado devido às suas reportagens relacionadas com a mineração naquela província.
Reacções
Em reacção ao atentado, o político moçambicano Venâncio Mondlane afirmou na noite de ontem que o ataque contra o correspondente da STV constitui um atentado à liberdade de imprensa e ao direito à informação em Moçambique.
"A violência jamais silenciará as vozes que, com coragem, se colocam ao lado do povo e da verdade”, escreveu Mondlane numa mensagem divulgada nas redes sociais.
O Instituto de Media da África Austral (MISA-Moçambique) comentou o caso, reiterando a urgência de as autoridades esclarecerem o atentado e garantirem a segurança do jornalista.
Por sua vez, o Secretariado Executivo do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) considerou inaceitável que jornalistas "continuem a ser alvos de intimidação, violência e perseguição pelo exercício do seu dever profissional de informar”. Em nota divulgada na noite de ontem, o sindicato apelou a uma investigação célere do caso.
Em comunicado, o canal privado moçambicano STV manifestou hoje "indignação e repúdio" pelo que classificou como um "atentado criminoso" contra o seu correspondente, considerando o atentado como uma "tentativa de intimidar a comunicação social".
Também o Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS) de Moçambique repudiou hoje o atentado, a tiro, contra o jornalista, classificando-o "inadmissível e intolerável numa sociedade democrática".
Última atualização às 11h29 (Tempo Universal Coordenado - UTC)