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DesportoMéxico

Mundial 2026: Seis coisas que você precisa saber

Charles Penfold
11 de junho de 2026

A Copa do Mundo de 2026 será maior do que todas as edições anteriores. Se ela será melhor, porém, é uma questão completamente diferente. A DW apresenta tudo o que você precisa saber.

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Copa do Mundo 2026: anúncio do show do intervalo da final
Copa do Mundo 2026: anúncio do show do intervalo da finalFoto: Eduardo Munoz/REUTERS

1. Três anfitriões com relações tensas

Esta Copa do Mundo será a primeira a ser sediada por três países – Estados Unidos, Canadá e México – em vez de apenas uma nação, como costuma acontecer. A exceção anterior foi em 2002, quando Japão e Coreia do Sul inovaram ao compartilhar a organização do torneio.

Os anfitriões deste ano geralmente mantinham boas relações, mas elas se tornaram mais difíceis desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, iniciou seu segundo mandato. Suas ameaças de anexar o Canadá como o "51º estado" dos EUA e a imposição de tarifas punitivas deterioraram o clima entre dois aliados historicamente próximos.

As relações entre os EUA e o México também têm sido tensas devido a várias questões, incluindo a fronteira compartilhada e as ameaças de Trump de, ao menos implicitamente, usar força militar para combater os cartéis de drogas que operam no México.

2. Mais seleções, mais jogos

Com 48 equipes participantes, haverá muito mais partidas: um total de 104, em comparação com as 64 da Copa do Mundo de 2022, no Catar, quando apenas 32 seleções participaram.

A partida de abertura será entre México e África do Sul, na Cidade do México, em 11 de junho.

Haverá 12 grupos com quatro equipes cada, contra oito grupos na edição anterior. As duas melhores equipes de cada grupo, além das oito melhores terceiras colocadas, avançarão para a fase de 32 avos de final.

Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026: Costa do Marfim x Quênia — Yan Diomande celebra seu gol.
Yan Diomande celebra seu gol nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, durante jogo Costa do Marfim x QuêniaFoto: Yvan Sonh/Xinhua/IMAGO

Essa rodada eliminatória adicional foi introduzida para reduzir o número de equipes até a final, que será disputada em Nova Jersey, em 19 de julho.

Mais vagas também significaram mais oportunidades para países estrearem em Copas do Mundo. Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão participarão pela primeira vez. Isso é uma ótima notícia para seus torcedores, mas críticos temem que o aumento do número de equipes possa reduzir a qualidade geral do torneio.

3. Pausas obrigatórias para hidratação

Embora as pausas para hidratação não sejam novidade no futebol, a FIFA anunciou que todas as partidas da Copa do Mundo terão duas dessas pausas, aproximadamente aos 22 minutos de cada tempo, independentemente das condições climáticas.

Anteriormente, os árbitros eram obrigados a determinar pausas para resfriamento aos 30 minutos de cada tempo quando a temperatura no início do jogo ultrapassava 31°C.

A mudança ocorre devido às preocupações com as altas temperaturas esperadas em algumas cidades-sede, como ocorreu durante a Copa do Mundo de Clubes realizada nos EUA no verão passado.

Convenientemente para as emissoras de TV, a FIFA confirmou que elas poderão interromper a transmissão para exibir comerciais durante essas pausas de três minutos. Isso resolve um problema enfrentado pelas emissoras americanas na Copa de 1994 e, na prática, divide os jogos em quatro períodos, assim como acontece em dois dos esportes televisivos mais populares dos Estados Unidos: o basquete e o futebol americano.

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4. Preocupações com direitos humanos

Um relatório divulgado pela Anistia Internacional em março alertou que a Copa do Mundo representa "riscos e impactos significativos para torcedores, jogadores, jornalistas, trabalhadores e comunidades locais”.

O relatório é mais crítico em relação aos Estados Unidos, que sediarão a grande maioria das partidas. O documento descreve a situação no país como uma "emergência de direitos humanos" e aponta o que chama de um "padrão reconhecível de práticas autoritárias". Também demonstra preocupação especial com a atuação dos agentes de imigração do ICE destacados para alguns estados.

A Anistia observou ainda que o México mobilizou 100 mil agentes de segurança, incluindo militares, em resposta aos altos níveis de violência no país.

Quanto ao Canadá, o relatório destacou temores de que pessoas em situação de rua sejam ainda mais marginalizadas, especialmente nas cidades-sede de Vancouver e Toronto, além de possíveis restrições ao direito de reunião pacífica.

5. Altos custos de viagem e ingressos

As grandes distâncias entre as sedes tornam as viagens caras, mesmo para torcedores que vivem na América do Norte.

As cidades mais distantes entre si são Vancouver e Miami, separadas por 4.507 quilômetros. Um torcedor da Alemanha, por exemplo, teria de percorrer cerca de 2.619 quilômetros para acompanhar sua seleção nos jogos da fase de grupos, viajando de Houston para Toronto e depois para Nova Jersey.

Os preços dos ingressos geraram tanta controvérsia que a organização Football Supporters Europe (FSE) entrou com uma ação contra a FIFA junto à Comissão Europeia, alegando "preços excessivos".

Faltando um mês para a abertura do torneio, em 11 de junho, os ingressos para a maioria dos jogos da fase de grupos ainda estavam disponíveis para venda geral.

Os ingressos mais caros para a estreia dos EUA contra o Paraguai, em Los Angeles, custavam US$ 4.105 (€ 3.499), enquanto em partidas menos procuradas os bilhetes mais baratos estavam sendo vendidos por US$ 380.

O próprio site oficial de revenda da FIFA, o FIFA Marketplace, chegou a anunciar ingressos para a final por mais de US$ 2 milhões cada.

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O presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu os preços, afirmando que uma quantidade limitada de ingressos mais baratos foi disponibilizada aos torcedores fiéis das seleções por meio das federações nacionais.

Falando em Los Angeles, Infantino argumentou que os preços elevados simplesmente refletem a demanda em um mercado caro.

"E se alguém comprar um ingresso para a final por US$ 2 milhões, eu pessoalmente levarei um cachorro-quente e uma Coca-Cola para garantir que ele tenha uma ótima experiência”, prometeu.

6. A questão do Irão

O Irã se classificou para sua sétima Copa do Mundo, mas sua participação parecia complicada desde o início.

O país é um dos quatro classificados cujos cidadãos enfrentam proibições totais ou parciais de entrada nos Estados Unidos, onde todas as partidas de sua fase de grupos serão disputadas.

Segundo a ordem executiva de Trump, os jogadores, treinadores e membros da comissão técnica estão isentos dessas restrições, mas isso aparentemente não se aplica aos dirigentes da federação iraniana.

No início deste ano, os Estados Unidos e Israel travaram uma guerra de várias semanas contra o Irã, após a qual a federação iraniana ameaçou boicotar seus jogos nos EUA.

Posteriormente, Trump declarou que, "por sua própria vida e segurança”, não seria apropriado que o Irã estivesse no país.

Agora, o México concordou com um acordo segundo o qual a seleção iraniana ficará baseada em território mexicano, cruzando a fronteira apenas para disputar suas duas partidas em Los Angeles e outra em Seattle.

Editado por: Matt Pearson.

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